PF investiga aplicação de R$ 400 milhões do fundo de previdência do Amapá no Banco Master
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) uma operação para apurar suspeitas de irregularidades em investimentos feitos pelo Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá no Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado. O fundo estadual aplicou cerca de R$ 400 milhões em Letras Financeiras do Master, títulos considerados de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Macapá. Segundo a PF, a investigação busca esclarecer se houve prejuízo ao patrimônio público e identificar os responsáveis pelas decisões que levaram à aplicação dos recursos previdenciários.
Um dos alvos dos mandados é o presidente da Amprev, Jocildo Lemos, e mais dois conselheiros do Comitê de Investimento.
A investigação apura em que circunstâncias foi autorizada a aplicação de R$ 400 milhões da Amprev em leituras financeiras emitidas pelo Master, operação considerada de alto risco.Esse valor representa cerca de 5% do patrimônio líquido da Previdência Estadual do Amapá.
A Amprev declarou que se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e que não abre mão de ser ressarcida. Por isso, ingressou com as medidas judiciais cabíveis, conseguindo o bloqueio de pagamentos ao banco.
Amprev destacou que, sob a atual administração, o patrimônio da Previdência Estadual evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo pagamento aos aposentados e pensionistas até o ano de 2059.
A operação ocorre no mesmo dia em que o Banco de Brasília (BRB) tem prazo para apresentar ao Banco Central um plano de recuperação das perdas decorrentes da negociação para a compra do Banco Master. A estimativa é de que o rombo no BRB chegue a R$ 5 bilhões, valor que será detalhado no documento a ser entregue à autoridade monetária.
Caso o plano seja aprovado pelo Banco Central, o BRB terá até seis meses para executar as medidas de recomposição financeira. O banco tenta demonstrar capacidade de absorver o impacto das operações envolvendo o Master sem comprometer sua solvência.
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O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central após a identificação de uma grave crise de liquidez. De acordo com o regulador, a instituição não dispunha de recursos suficientes para honrar compromissos básicos, como pagamentos a clientes e investidores, o que levou à intervenção e ao encerramento das atividades.
A Polícia Federal ainda não informou se servidores públicos ou gestores do fundo de previdência já foram formalmente identificados como investigados.
