PF encontra mensagem em celular de Thiago Rangel com foto de maços de dinheiro e suspeita de 'movimentação clandestina'
A Polícia Federal interceptou uma mensagem no celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) com uma foto de maços de notas de dinheiro. Segundo a PF, as conversas reforçam a suspeita de que os valores estariam sendo "movimentados de forma clandestina" em um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Rangel foi preso preventivamente nesta terça-feira por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A operação busca desarticular uma suposta organização criminosa voltada à prática de fraudes em licitações na secretaria estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Mensagem enviada a deputado estadual do Rio que mostra foto com maços de dinheiro
Reprodução/ Polícia Federal
Em ofício, a PF destacou que, após receber a foto com a pilha de notas de R$ 100 e R$ 200, o deputado estadual enviou um áudio ao seu interlocutor dizendo que um "amigo lá do transporte que ganhou a licitação tá me procurando aqui".
O interlocutor que enviou a imagem do dinheiro é Luis Fernando Passos de Souza, apontado por ser "operador financeiro" do deputado estadual. Souza também foi alvo de prisão preventiva. Ele mandou a foto com a mensagem "guardado", "vou a roça, e volto". O deputado respondeu com uma figurinha em que ele próprio aparece dando um sinal de positivo.
Nesta terça-feira, agentes da PF saíram às ruas para cumprir sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, as três últimas no Noroeste Fluminense, reduto político de Rangel. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo no contexto da ADPF 635, que prevê a atuação coordenada da Polícia Federal no combate aos principais grupos criminosos do Rio e as suas conexões com o poder político.
Procurada, a defesa de Thiago Rangel disse ter recebido com surpresa a notícia da ação da PF e da prisão preventiva do deputado. "Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida", disse.
