PF encontra conexões entre cartel de postos de combustíveis no Rio e empresas associadas ao PCC investigadas na Carbono Oculto

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A oitava etapa da Operação Unha e Carne da Polícia Federal no Rio mirou um grupo suspeito de formar um cartel e lavar dinheiro através de postos de combustíveis. A investigação esbarra nos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores formais da economia, um deles o de combustíveis. A investigação fluminense identificou repasses e uso de empresas suspeitas de serem usadas pela facção paulista.

PF aponta uso de estruturas da Defesa do Consumidor pelo crime organizado no Rio Bandeira de Canella na campanha, retirada de barricadas em Belford Roxo é citada em áudio de investigação da PF No relatório em que pediu a prisão do deputado estadual eleito Marcio Canella e do ex-secretário e Polícia Civil Marcus Amim, a PF explica que as quadrilhas escolhem o setor de combustível “para a lavagem de ativos devido à sua alta liquidez, intenso fluxo de dinheiro em espécie e pela facilidade intrínseca de simular faturamento e misturar receitas lícitas e ilícitas”.

As duas investigações começam a se cruzar a partir da empresa ADM OIL Prestadora de Serviços com um capital social de R$ 10 mil, mas que movimentou R$ 45 milhões. A PF explica que a empresa funcionava como uma câmera de compensação, recebendo dinheiro dos postos e escoando os valores para pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

A empresa contratou em 2020 por R$ 2 mil para trabalhar como auxiliar de escritório Fernanda Rangel Pereira da Silva. Apesar do salário modesto, segundo a Polícia Federal, ela realizou R$ 169,4 milhões em depósitos no sistema financeiro direcionando “recursos de origem nebulosa para a rede de postos e distribuidora”. Por isso, ela é descrita no relatório como “operadora de campo do esquema”.

Parte dos repasses milionários feitos por Fernanda Rangel foram direcionados a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda. A empresa foi alvo da última operação da Carbono Oculto, investigação feita pela PF em São Paulo. A suspeita é que a usina está envolvida no esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Vídeo mostra conversa entre capitão da PM e traficantes sobre suposto acordo entre Canella e facção A investigação aponta ainda que quebra de sigilo bancário mostra que à ADM OIL repassou mensalmente durante dois anos R$ 70 mil a Mamim Consultoria LDTA, empresa do delegado e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e esposa. O total supera R$ 1,8 milhão de acordo com a PF. Fintech ligada ao PCC A Operação Unha e Carne tem na fintech BK Bank outro ponto de interseção com a Carbono Oculto. A apuração sobre a ADM OIL aponta que Fernanda Rangel tinha uma conta pessoal na fintech que operava em regime de "espelhamento", com créditos e débitos simétricos imediatos.

A BK Instituição de Pagamento S.A., também conhecida como BK Bank, é citada como uma peça central na engrenagem financeira do PCC. Segundo as investigações, a fintech atuava como o braço financeiro de captação de recursos e aquisição de empresas, viabilizando a movimentação de valores e a ocultação de sua origem ilícita. O método principal, conforme as apurações, era o uso de "contas bolsão", em que valores de diferentes clientes eram reunidos em uma única conta. Esse mecanismo permitia compensações internas e dificultava o rastreamento dos recursos, criando obstáculos ao sistema anti lavagem. O volume de transações consideradas atípicas na instituição é expressivo, somando cerca de R$ 17,7 bilhões em créditos e um valor idêntico em débitos com empresas ligadas ao PCC. Parte significativa desse fluxo passou pela filial de Ribeirão Preto, que tinha ligação direta com as atividades do grupo nas usinas sucroalcooleiras e distribuidoras de combustíveis. Entenda a participação de Marcio Canella e Marcus Amim, presos pela PF suspeitos de integrarem organização criminosa Em outro eixo, a BK serviu de canal para uma rede de postos que movimentou mais de R$ 54 bilhões, mas declarou ao fisco apenas 0,17% em tributos, índice considerado incompatível para empresas tributadas pelo lucro real. O advogado Thiago Minagé, da defesa de Marcus Amim, preferiu não se manifestar. Procuradas, Fernanda Rangel, Tobras Distribuidora e BK Bank não retornaram. O GLOBO não conseguiu contato com a ADM OIL.

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