A compra de um apartamento para o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi feita pelos operadores do Banco Master “linguagem cifrada”, de acordo com relatórios da Polícia Federal (PF). “A altura do vão é 2,45m”, disse um dos interlocutores para se referir ao valor do imóvel, que era R$ 2,45 milhões.
Em diálogo destacado pela PF, o advogado do Master, Daniel Monteiro, enviou em mensagem a Guilherme Sodré, apontado como pessoa de confiança de Wagner, que a “altura do vão é 2,45 m”. Para os investigadores, o objetivo dessa troca foi utilizar linguagem cifrada para dificultar o entendimento de outras pessoas. Bloqueio de bens no caso Master atingiu pelo menos 12 empresas e 15 pessoas e total chega a R$ 125,6 mil De fraude no BRB a escândalo político: o que as investigações do Caso Master revelam até agora “O contexto dos diálogos sugere possível utilização de linguagem cifrada ('altura do vão'), aparentemente com a finalidade de dificultar a compreensão do efetivo conteúdo tratado entre os interlocutores. Ao que tudo indica, a 'altura do vão' de '2,45m' fazia referência ao valor de R$ 2,45 milhões relacionado ao imóvel adquirido no empreendimento Poème Horto, valor mencionado pelo senador JAQUES WAGNER em conversa mantida entre ele e AUGUSTO LIMA”, registrou a corporação.
O conteúdo do relatório da PF foi tornado público após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), tirar o sigilo das investigações.
O apartamento recebido por Wagner está hoje bloqueado por decisão de Mendonça, assim como outros R$ 3,5 milhões que teriam sido recebidos por familiares do senador. A PF apura se o ex-líder do governo no Senado teria mantido relação ilícita com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o sócio Augusto Lima. A defesa do senador nega qualquer irregularidade.
Senador Jaques Wagner (PT-BA) no plenário do Senado Carlos Moura/Agência Senado
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