PF diz que hackers contratados por Vorcaro recebiam R$ 75 mil por mês para promover ataques e invasões cibernéticas
Investigação da Polícia Federal afirma que integrantes do grupo de hackers chamado “Os Meninos”, apontado como responsável por ataques cibernéticos e invasões telemáticas ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recebiam R$ 75 mil por mês para atuar no esquema investigado na Operação Compliance Zero.
Trecho de apuração da PF consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a sexta fase da operação nesta quinta-feira. O pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso por suspeita de ser o operador financeiro dos pagamentos destinados ao grupo "A Turma", voltado à prática de ameaças e intimidações de desafetos de Vorcaro, além da obtenção de dados sigilosos.
De acordo com a PF, a divisão dos valores foi detalhada pelo próprio Luiz Phillipe Mourão, conhecido como “Sicário”, em conversa com Daniel Vorcaro. Na mensagem reproduzida no relatório, Mourão afirma que "ele manda o mensal e eu divido entre a turma": "Mando pra eles. 400 divido entre 6".
Felipe Mourão mantinha relação direta de prestação de serviços com Vorcaro e atuava como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, e monitoramento de pessoas, conforme apuração da PF.
A investigação também identificou, a partir de outros diálogos analisados no mesmo relatório policial, que o responsável ordinário pelos pagamentos seria Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Em uma das mensagens citadas pela PF, Mourão afirma: “Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado”.
Esta fase da Compliance Zero mirou os suspeitos de praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos. Conforme investigação, havia os grupos "A Turma" e "Os Meninos". O primeiro seria voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Já o segundo era o braço tecnológico e seria responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro disse que a decisão "se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele". "O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje", dizem os advogados.
