PF diz que deputada do Ceará usava influência política para viabilizar acordos com o INSS
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (17), a operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de desvios não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.
O Ministério Público Federal e a PF chegaram a pedir a prisão preventiva da deputada federal Gorete Pereira, alvo dessa nova fase da Operação Indébito. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão de duas pessoas e o uso de tornozeleira eletrônica pela deputada, mas não concordou com a prisão da parlamentar.
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Segundo a Polícia Federal, ela controlava uma entidade utilizada para o esquema dos descontos indevidos e mantinha interlocução com autoridades e servidores públicos. Ainda segundo os investigadores, Gorete Pereira utilizava influência política para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas, bem como pressionava servidores públicos para acelerar processos para beneficiar os integrantes do esquema.
O nome dela aparece expressamente, segundo a PF, em uma tabela de pagamento de propina associada a uma quantia de R$ 780 mil. A PF afirma ter provas de que ela comprou um apartamento de luxo de R$ 4 milhões com o dinheiro desviado do INSS e chamou atenção também hoje. A PF, nessa operação, apreendeu com os alvos da operação muito dinheiro, relógios, joias, sapatos e bolsas de luxo.
Foram presos na operação o empresário Nátil de Lima Pinheiro e a advogada e ex-presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas do Ceará, Cecília Rodrigues Mota, que chegou, inclusive, a prestar depoimento na CPMI do INSS. O presidente da CPMI, Carlos Viana, disse que novas prisões ainda devem ser feitas e que a investigação do caso segue avançando.
"Nós estamos, passo a passo, trazendo mais pessoas para o centro de investigação que estiveram presentes nesse escândalo. Só para que vocês tenham ideia, já são 14 os presos ligados ao escândalo do INSS e outras prisões virão".
A deputada federal Goretti Pereira divulgou uma nota dizendo que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos. Ela disse que tem uma trajetória pública de mais de 40 anos pautada pela Integridade, afirma que a Defesa já está tendo acesso ao teor dos autos e depois vai se manifestar.
O avanço das investigações sobre a fraude no INSS está preocupando o Palácio do Planalto, especialmente após o nome de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula, ser citado por investigados do caso. A Defesa dele, inclusive, procurou o ministro André Mendonça, que é o relator desse caso no INSS, para que Lulinha possa prestar depoimento. Se colocou, inclusive, à disposição do ministro André Mendonça para que ele possa se apresentar de forma voluntária para prestar esse depoimento e esclarecimento acerca das suspeitas de seu envolvimento no esquema.
Ontem, o advogado dele, Marco Aurélio de Carvalho, em entrevista à Globo News, admitiu que o filho do presidente viajou a Portugal em 2024 com o lobista conhecido como careca do INSS. Segundo o advogado, foi uma viagem para que o empresário conhecesse uma fábrica de produtos com base em cannabidiol, mas não gerou vínculos comerciais ou negociações. A ideia agora é que Lulinha possa se apresentar à Justiça e prestar esclarecimento sobre o caso de forma antecipada, evitando uma ação mais incisiva, como a gente viu hoje, mais uma fase da sem desconto, agora operação em débito, feita pela Polícia Federal.
