PF apura rota de Flávio entre Brasília e Foz do Iguaçu e investiga se houve ajuda de empresários em fuga do país

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia Federal investiga qual foi a rota de fuga usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial do último domingo. Os investigadores apuram como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, e investigam se ele teve a ajuda de empresários e aliados políticos.

O trajeto de Flávio após chegar ao país vizinho já é conhecido, mas ainda há lacunas no caminho feito da capital federal até lá. Uma das possibilidades é que ele tenha feito o trajeto por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas.

Na noite de segunda-feira, por volta das 19h50, o comboio usado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora, mas não há informações sobre os passageiros dos veículos. Outra hipótese é que um jato privado tenha decolado de algum aeródromo ou pista de pouso em propriedades rurais de Brasília e do entorno rumo a Foz do Iguaçu.

Também é analisada a chance de Flávio ter feito parte da viagem de carro e parte de avião. Dentro desse braço da apuração, investigadores também estão checando se houve auxílio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos da família Bolsonaro.

A PF suspeita ainda da participação do governo argentino, sob o comando de Javier Milei, na fuga. Flávio é alvo de um inquérito em que a PF busca aprofundar as investigações que recaem sobre o senador por lavagem de dinheiro.

Ele é alvo de um inquérito que atinge também o advogado e seu amigo Willer Tomaz, que desde agosto está nos Estados Unidos. O senador é apenas investigado.

Por isso, a polícia não o trata como foragido. A investigação sobre a fuga se dá pelo fato de ele ter descumprido ordem judicial de entregar os passaportes e se ausentar do país.

Na segunda-feira, o senador foi intimado pela PF para entregar seus passaportes em 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da própria PF. No mesmo despacho, Moraes proibiu Flávio de manter contato com Willer Tomaz.

Na ocasião, Flávio gravou um vídeo dizendo que não iria fugir. Entretanto, não entregou os passaportes, que foram cancelados, e fugiu no dia seguinte.

O deslocamento O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones.

O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano. De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquil.

Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo em Miami, onde desembarcou às 10h24. Ainda na terça-feira, o governo americano já havia indicado que concederia vistos de entrada para Flávio e sua família.

Ele foi admitido no país por razões humanitárias. Questionado, o presidente americano Donald Trump disse que permitiria a entrada de Flávio nos Estados Unidos porque ele é uma “pessoa decente” e a eleição de domingo “foi terrível”.

Trump, no entanto, disse que não vai interferir no Brasil. Depois que chegou aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta com teor golpista se autodeclarando presidente eleito.

Minutos depois, ele editou a carta e se intitulou "o líder do Brasil". Lavagem de dinheiro

A investigação sobre Flávio é um desdobramento de um inquérito da PF no Rio Grande do Sul sobre supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas, as bets Os policiais encontraram indícios de que Tomaz controla a Rede Loto, uma casa de apostas que obteve autorização do governo do Rio para operar em maio de 2023.

A partir das informações, os agentes pediram a quebra de sigilo telemático do advogado, o que deu acesso a mensagens, e-mails e outras informações do celular dele. Tomaz e Flávio negam irregularidades.

A partir dessa análise, a PF encontrou vínculos com Flávio, o que fez a investigação ser enviada ao STF. O relatório da PF diz que os “elementos analisados” mostram proximidade entre o presidenciável e o advogado.

Um dos e-mails revela que Flávio estava cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária conjunta com Tomaz. A conta em questão no Santander estava em nome da Alcazar Holdings e era administrada por Tomaz.

Mas até maio de 2025 também era de Flávio Bolsonaro, segundo indica uma troca de e-mails captada pela PF no Icloud do advogado. Em maio daquele ano, uma secretária do advogado solicitou ao banco a desvinculação de uma conta identificada com o nome de Flávio e de outra em nome de Willer.

O Santander confirmou a exclusão. Flávio e o advogado negam ter compartilhado uma conta bancária e afirmam que o e-mail não comprova a existência dessa relação financeira.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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