PF apreende carro da marca BMW e motocicleta durante buscas na casa de Ciro Nogueira em Brasília
A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira um carro da marca BMW durante buscas realizadas na residência do senador Ciro Nogueira, em Brasília, no âmbito da Operação Compliance Zero. O veículo está registrado em nome da CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa apontada nas investigações como uma das estruturas usadas para que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, destinasse vantagens indevidas ao parlamentar.
Segundo as investigações, a CNLF é administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, e teria sido utilizada como instrumento de “recepção, circulação e formalização aparente de recursos” vinculados ao esquema investigado. A representação afirma ainda que a empresa participou da chamada “parceria BRGD/CNLF”, apontada pelos investigadores como mecanismo para pagamentos mensais que poderiam chegar a R$ 500 mil.
Durante as buscas, a PF também apreendeu uma moto esportiva. O automóvel apreendido é uma BMW M440i XDrive Coupé, avaliada em cerca de R$ 372 mil. O veículo está registrado em Teresina (PI) e possui motor 3.0 turbo de 387 cavalos.
O presidente do PP foi alvo de buscas nesta quinta-feira, em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo o banco Master, de Daniel Vorcaro. O primo do ex-banqueiro, Felipe Vorcaro, foi preso na operação.
A ação da PF que tem Ciro Nogueira como alvo foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o magistrado aponta que o parlamentar é indicado pelos investigadores como "destinatário central" de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master.
A representação policial descreve um contexto de vantagens indevidas entre o senador e Vorcaro, como a compra de participação em empresa por um valor abaixo do mercado, a identificação de pagamentos mensais recorrentes de R$ 300 mil à "estrutura vinculada ao senado" , o uso de um imóvel de Vorcaro como se fosse do próprio senador e custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.
Um dos indícios citados pela PF sobre o envolvimento de Ciro Nogueira é uma emenda apresentada no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que, segundo a apuração foi redigida dentro do Banco Master. De acordo com a PF, o texto foi elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a “Ciro” no endereço residencial do parlamentar.
A emenda citada PF ampliava a cobertura do FGC a investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A garantia do fundo era uma das principais estratégias de negócio do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A PF identificou mensagem em que Vorcaro comemora a emenda apresentada por Ciro Nogueira: "Saiu exatamente como mandei".
A proposta, apresentada por Nogueira em agosto de 2024, foi apelidada no Senado de "emenda Master", mas não chegou a ser aprovada.
A PF sustenta que o episódio não teria sido isolado e aponta a existência de um arranjo entre o banqueiro e o senador, com suspeitas de pagamentos mensais, aquisição societária com deságio, custeio de viagens internacionais, hospedagem, restaurantes e voos privados.
