PF aponta que policiais recebiam propina para passar informações sigilosas de inquéritos: 'Oferenda' e 'presente pra filhota'

 

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A Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro contava com um grupo de policiais da corporação da ativa e aposentados que recebiam propina para consultar dados sobre desafetos e acessar informações sigilosas de inquéritos em curso. Segundo as investigações, as vantagens ilícitas eram chamadas por diferentes expressões, como "oferenda" ou "presente pra filhota que passou no vestibular".

As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte e responsável por deflagrar a sexta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira. Entre os alvos dos mandados de prisão e busca e apreensão estavam esses policiais federais.

De acordo com as investigações, o grupo integrava a estrutura chamada "A Turma", responsável por intimidar e vigiar desafetos do Master e consultar processos judiciais em curso a mando de Vorcaro. O responsável por essa equipe era o policial aposentado Marilson Roseno da Silva, que já está preso.

Segundo a PF, ele recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava a sua execução a partir dos seus contatos com colegas policiais. Um deles seria o agente da ativa Anderson Wander da Silva Lima, que é apontado como "longa manus" de Marilson. Ele foi detido hoje e afastado do cargo.

A PF encontrou mensagens em que Marilson pede para ele consultar se determinadas pessoas estavam fora do país a partir da foto de um passaporte e um visto americano. Em outro caso, o chefe do núcleo pede com urgência para que Lima verifique um inquérito que apurava crimes financeiros envolvendo Vorcaro. Na mensagem, ele diz que não precisa do acesso integral, mas apenas da "sucinta" do processo sigiloso.

Em outro diálogo interceptado em agosto de 2023, Marilson pede a chave Pix de Lima para "mandar um presente pra filhota que passou no vestibular". Em dezembro de 2025, quando as investigações sobre as fraudes financeiras do Master estavam a todo vapor, o chefe do número voltou a solicitar a chave de Pix do agente para enviar uma "oferenda".

Segundo a decisão de Mendonça, esse pagamento seria "compatível com o bônus de final de ano que Daniel Vorcaro teria destinado à 'Turma'".