PF aponta indícios de que assessora da Câmara favoreceu Eduardo Cunha em esquema de emendas
A Polícia Federal (PF) apontou indícios de que a assessora parlamentar Mariângela Fialek teria desviado emendas parlamentares em favor do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) com o aval da presidência da Câmara dos Deputados.
A informação consta em documentos enviados ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasaram a decisão de bloquear R$ 6,1 milhões em bens do ex-parlamentar.
Segundo a investigação, Mariângela, conhecida como "Tuca", teria atuado para direcionar recursos públicos a Eduardo Cunha, mesmo sem ele exercer mandato desde 2016.
Os documentos reproduzidos na decisão de Flávio Dino não citam nominalmente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
No entanto, a PF destaca que os diálogos entre Cunha e a assessora, assim como a liberação das emendas investigadas, ocorreram em 2025, período em que Motta já presidia a Casa, conforme detalhado pela Folha de São Paulo.
"Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto", afirma a Polícia Federal.
Até o momento, Hugo Motta não se manifestou sobre a decisão do STF nem sobre as conclusões da investigação.
No sábado (11), o presidente da Câmara saiu em defesa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao criticar a decisão de Flávio Dino que bloqueou R$ 119 milhões do dirigente partidário por suspeitas de irregularidades na destinação de emendas.
Na ocasião, Motta classificou a medida como uma "intervenção judicial".
Em nota, a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a servidora sempre atuou de forma "estritamente técnica, apartidária e impessoal".
PF detalha participação de assessora
Já a Polícia Federal sustenta que a assessora "sabia que estava atuando em zona cinzenta" ao supostamente contornar procedimentos formais para direcionar emendas "conforme interesses privados".
A investigação também afirma que Eduardo Cunha atuava como um agente privado com influência política equivalente ou até superior à de parlamentares em exercício, interferindo na destinação de recursos federais sem respaldo institucional.
Troca de mensagens abre margem para suspeita contra Hugo Motta
Entre as mensagens analisadas pelos investigadores, há um diálogo de setembro de 2025 em que Cunha menciona o nome "Hugo".
Segundo a PF, após Mariângela enviar e apagar uma mensagem, o ex-deputado respondeu: "Tive ontem com Arthur.
Hugo me ligou à noite.
Enfim, tentando ajudar.
Mas Arthur tem razão".
Os trechos da investigação divulgados na decisão do STF não esclarecem se a referência a "Arthur" diz respeito ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira.
O bloqueio de bens determinado por Flávio Dino é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga a suposta atuação de Eduardo Cunha no direcionamento de emendas parlamentares mesmo após deixar a Câmara dos Deputados.
