Petrolíferas retomam negócios na Venezuela; Repsol e Chevron fecham novos contratos
A petrolífera espanhola Repsol anunciou nesta quinta-feira que chegou a um acordo com o governo venezuelano para "retomar o controle de suas operações" na Venezuela e "aumentar sua produção" em até 50% em um ano. Segundo o comunicado, a Repsol prevê triplicar sua produção de petróleo no país nos próximos três anos. O anúncio ocorreu na mesma semana em que a americana Chevron fechou novos contratos no país.
O acordo da Repsol, que também foi assinado pela estatal de petróleo da Venezuela, PDVSA, faz parte dos esforços apoiados pelos Estados Unidos para reconstruir a indústria petrolífera do país após a captura, por Washington, do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro. E ocorre na sequência de um acordo similar firmado nesta semana entre a americana Chevron e o governo venezuelano, que permite à empresa expandir significativamente suas operações no país.
Desde o ano passado, a Repsol estava impedida de operar suas instalações de petróleo na Venezuela devido às sanções do governo americano, em meio à pressão do presidente Donald Trump sobre o governo de Nicolás Maduro. Mas, desde que derrubou Maduro do poder, os EUA concederam novas licenças especiais a petrolíferas estrangeiras, entre elas a Repsol.
Após a queda de Maduro, sua vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e introduziu reformas para revitalizar a indústria petrolífera. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e foi uma das principais produtoras de petróleo bruto nos anos 1990, mas má gestão, corrupção e sanções dos EUA fizeram a produção cair para 1 milhão de barris por dia, abaixo do pico recente de cerca de 3,5 milhões de barris diários.
A Repsol também afirma que o acordo garante “os mecanismos de pagamento”, sem dar mais detalhes. A Venezuela mantém uma dívida de US$ 4,55 bilhões com a Repsol e com o grupo italiano Eni por petróleo e gás natural produzidos por essas empresas para o fornecimento de energia local sem terem sido remuneradas por isso.
Eni e Repsol são parceiras no campo de gás Perla, um projeto offshore que fornece gás ao mercado doméstico na Venezuela. A Repsol opera na Venezuela desde 1993 e, segundo dados da empresa, sua produção de petróleo local é de 45 mil barris por dia.
Também esta semana, a Chevron concordou com uma troca de ativos com o governo venezuelano que ampliará significativamente suas operações petrolíferas no país, após permanecer ali por décadas em meio a turbulências políticas e econômicas.
O acordo aumentará a participação da Chevron para 49% em um enorme campo na Faixa Petrolífera do Orinoco e dará à empresa direitos para desenvolver uma segunda área, segundo um comunicado divulgado na segunda-feira.
Em troca, a Chevron cederá à PDVSA participações em um projeto de petróleo no oeste da Venezuela e em dois blocos de desenvolvimento de gás natural na costa do país.
A presença da Chevron na Venezuela remonta a mais de um século e se manteve firme mesmo nas décadas mais recentes. Nos últimos anos, outras empresas estrangeiras, como Shell e Repsol, mantiveram presença apenas limitada no país e rivais americanas como Exxon Mobil e ConocoPhillips foram expulsas após a expropriação de seus ativos. Desde a imposição de sanções há oito anos, a Chevron recebeu autorizações do Tesouro dos EUA que lhe permitiram continuar operando na Venezuela e exportar petróleo do país latino-americano.
A Chevron possui quatro empreendimentos na Venezuela: dois na Faixa do Orinoco e dois em Zulia, berço da indústria petrolífera do país. Juntos, eles respondem por quase 25% da produção total venezuelana, de cerca de um milhão de barris por dia.
Desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, o governo Trump vem pressionando as petrolíferas ocidentais a investir US$ 100 bilhões na Venezuela e assumiu o controle das vendas de petróleo do país, além de adotar medidas para aliviar sanções ao setor energético venezuelano. As exportações de petróleo venezuelano para portos dos EUA aumentaram mais de 150% em março em comparação com dezembro do ano passado.
Na terça-feira, o Tesouro dos EUA emitiu uma licença geral permitindo que instituições financeiras e outras entidades façam negócios com o Banco Central da Venezuela, além de um pequeno número de outras instituições no país.
A licença, emitida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro americano, representa um passo importante para eliminar obstáculos para que empresas petrolíferas internacionais voltem a operar na Venezuela, aliviando gargalos econômicos que atrasaram pagamentos a empresas petrolíferas locais e prejudicaram o plano de Donald Trump de aumentar rapidamente a produção de petróleo.
A medida permite que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu após a queda de Maduro, realize transações com bancos internacionais após uma proibição de sete anos decorrente das sanções dos EUA impostas durante o primeiro mandato de Trump.
Initial plugin text
