Petróleo ultrapassa os US$ 100 e Bolsas recuam com impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã

 

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Os preços do petróleo dispararam, o dólar subiu e a maioria dos mercados de ações registrou queda nesta quinta-feira. O Brent, referência internacional, chegou a avançar 0,9%, para cerca de US$ 103 por barril, diante do impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã e à medida que continua o bloqueio do Estreito de Ormuz.

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Às 7h23, o barril do Brent era negociado a US$ 102,73, com alta de 0,8%, enquanto que o tipo Texas (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 0,9%, negociado a US$ 93,80.

O dólar subiu 0,2%, enquanto o euro apresentou queda de 0,2%. As bolsas na Ásia e na Europa recuaram, assim como os futuros dos mercados de Nova York. Paris, no entanto, operava em alta. Confira abaixo o desempenho dos mercados de ações globais:

Na Ásia:

Bolsa de Tóquio: -0,75%

Bolsa de Hong Kong: - 0,95%

Bolsa de Xangai: -0,32%

Na Europa:

Bolsa de Londres: -0,79%

Bolsa de Paris: +0,13%

Bolsa de Frankfurt: -0,50%

Nos EUA:

Futuros do S&P: -0,42%

Futuros do Nasdaq: -0,39%

Futuros do Dow Jones: -0,67%

Uma alta recorde nas ações dos Estados Unidos parece ter chegado ao fim nesta quinta-feira com a situação no Oriente Médio. Os papéis nos EUA vinham superando a turbulência causada pela guerra no Irã, que interrompeu cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo.

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O otimismo renovado em torno da inteligência artificial e os fortes resultados corporativos impulsionaram a recuperação, enquanto investidores ainda esperam que uma solução esteja ao alcance.

— A falta de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã pode trazer um certo choque de realidade aos mercados de ações após uma forte recuperação — disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias no Barclays Plc. — É difícil ver muito mais potencial de alta sem avanços mais decisivos rumo à paz. Os resultados até agora são bons, então ao menos isso está oferecendo algum suporte fundamental.

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Na Europa, as ações recuavam pelo quarto dia consecutivo na mais longa sequência de perdas desde janeiro. Como importadora líquida de petróleo e gás, a região permanece mais exposta aos impactos do Oriente Médio, e nem mesmo uma série de resultados robustos foi suficiente para melhorar o humor dos mercados. Nesta quinta-feira, as ações da gigante de beleza L’Oréal subiram mais de 8% em Paris após fortes vendas acima do esperado. Os papéis da Nestlé avançaram 6% em Zurique.

— Os mercados estão trabalhando com a ideia de que os efeitos do Estreito de Ormuz atingirão as economias da Ásia e da Europa mais duramente do que a economia dos EUA — disse Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg. — Isso também significa que, uma vez que Ormuz reabra, Europa e Ásia tendem a ter desempenho superior.

Refinarias da Europa em plena capacidade

A Shell Plc afirmou que as refinarias de petróleo da Europa estão operando a plena capacidade para produzir combustível de aviação, enquanto companhias aéreas alertam para um possível aperto na oferta, com o setor de aviação tornando-se rapidamente um dos principais pontos de pressão devido à guerra no Irã.

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A própria unidade da empresa — a maior da Europa, localizada no porto de Roterdã — está agora produzindo o máximo possível desse combustível, disse Frans Everts, responsável pelos negócios da companhia na Holanda. Ele não detalhou quais são esses níveis.

— Muito claramente, todas as refinarias na Europa estão no que chamamos de modo máximo de produção de combustível de aviação — afirmou.

A Europa depende fortemente das importações de combustível de aviação, tendo perdido sua principal fonte externa de suprimento devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Enquanto as companhias aéreas enfrentam agora preços exorbitantes para o combustível, o conflito também elevou o custo do petróleo bruto nos mercados internacionais, reduzindo as margens das refinarias e levantando dúvidas sobre até que ponto elas podem manter suas unidades operando nesse nível máximo.

A refinaria Shell Pernis, em Roterdã, foi obrigada a buscar alternativas aos tipos de petróleo bruto do Oriente Médio, onde alguns dos maiores produtores do mundo foram forçados a reduzir a produção. As refinarias europeias já estão operando com petróleo que havia sido estocado para emergências.

— Estamos analisando diferentes fontes e o mercado, naturalmente, precisa se reorientar completamente — disse Everts.

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