Petróleo cai abaixo de US$ 100 e Bolsas sobem após Trump afirmar que vai 'pausar' ação militar em Ormuz

 

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O petróleo caiu abaixo de US$ 100 por barril nesta quarta-feira e o gás despencou após o site Axios informar que os Estados Unidos acreditam estar próximos de um acordo com o Irã para encerrar a guerra que já dura quase 10 semanas. As ações europeias subiram fortemente, com o FTSE 100 de Londres avançando 2,3%.

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Por volta das 7h (hora de Brasília), o Brent, referência internacional, registrava queda de 10,60%, sendo cotado a US$ 98,22, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 12,38%, para US$ 89,61. O gás natural europeu chegou a despencar 11%.

As Bolsas globais apresentam alta nesta quarta-feira. Confira abaixo:

Na Ásia

Bolsa de Tóquio: +0,38%

Bolsa de Hong Kong: +1,22%

Bolsa de Xangai: +1,17%

Na Europa

Bolsa de Londres: +2,23%

Bolsa de Paris: +2,75%

Bolsa de Frankfurt: +2,60%

Nos EUA

Futuro do S&P: +1,03%

Futuro do Dow Jones: +1,23%

Futuro do Nasdaq: +1,73%

O site Axios afirmou que Washington e Teerã estão próximos de um memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra. O documento, que incluiria a retirada de restrições ao Estreito de Ormuz por ambas as partes, ainda não foi acordado, e os EUA esperam uma resposta do Irã dentro de 48 horas.

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Ainda de acordo com o site, o acordo de uma página envolveria Teerã concordando com uma moratória sobre o enriquecimento nuclear. Em troca, os EUA liberariam fundos iranianos congelados e suspenderiam sanções. Ambos os lados encerrariam as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz.

— O preço do petróleo está reagindo a uma mudança de sentimento, em vez de aos fundamentos do mercado, impulsionado por notícias de um possível acordo entre os EUA e o Irã — disse Giovanni Staunovo, analista do UBS Group AG em Zurique. — Ainda não está claro quando o fluxo pelo estreito será retomado.

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O relatório foi divulgado horas depois de o presidente Donald Trump afirmar em uma publicação na Truth Social na terça-feira que os EUA irão pausar o esforço de escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, em uma reviravolta apenas um dia após o início da operação, para ver se um acordo pode ser alcançado com o Irã. “Grande progresso” foi feito em um acordo final para encerrar a guerra, acrescentou Trump.

De acordo com o jornal Financial Times, o presidente americano disse que queria “ver” se uma solução diplomática poderia ser alcançada com o Irã, citando avanços nas negociações e um pedido do Paquistão, que tem mediado entre Washington e Teerã.

O FT destaca que a mudança de posição de Trump em seu plano “Projeto Liberdade” ocorreu enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunia com o chanceler chinês Wang Yi em Pequim. Irã e China são aliados próximos, e os EUA têm pedido a Pequim que persuada o Irã a fazer mais para abrir o Estreito de Ormuz.

O petróleo bruto subiu cerca de 40% desde o início do conflito no fim de fevereiro, retirando centenas de milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico dos mercados globais. Os fluxos por esse ponto crítico de passagem estão agora limitados por um bloqueio duplo, com Teerã dificultando a navegação enquanto os EUA impedem embarcações de acessar portos iranianos.

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O principal diplomata da China pediu a rápida reabertura de Ormuz no primeiro encontro com seu homólogo iraniano neste ano, sinalizando os esforços de Pequim para reduzir a escalada de uma crise global poucos dias antes de o presidente Xi Jinping se reunir com Trump. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador nas negociações entre Irã e EUA, disse em uma publicação na rede social X que está “esperançoso de que o atual impulso leve a um acordo duradouro”.

Na terça-feira, Washington minimizou a possibilidade de um retorno à guerra ativa, com o secretário de Defesa Pete Hegseth confirmando que a trégua iniciada há pouco menos de um mês ainda está em vigor. Enquanto isso, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, disse que os ataques do Irã a embarcações no Golfo Pérsico e à infraestrutura energética nos Emirados Árabes Unidos não constituíram uma violação do cessar-fogo.

A paralisação na região de Ormuz deixou mais de 1.550 embarcações comerciais, transportando cerca de 22 mil marinheiros, presas no Golfo Pérsico, afirmou Caine. Ainda assim, qualquer avanço nas negociações de paz levará muito mais tempo para se refletir nos mercados de energia.

— Quando o estreito reabrir, acreditamos que levará meio ano para que o petróleo volte ao normal— disse Torgrim Reitan, diretor financeiro da Equinor, durante a teleconferência de resultados trimestrais da empresa. — Para o gás, levará muito mais tempo.

Nos EUA, dados do setor mostraram que os estoques de petróleo bruto caíram 8,1 milhões de barris na semana passada, o que representaria a maior redução desde meados de fevereiro, caso seja confirmado pelos dados oficiais a serem divulgados ainda nesta quarta-feira.

O fechamento efetivo de Ormuz interrompeu cerca de um quinto do fornecimento mundial de gás natural liquefeito. Embora a maior parte desse combustível normalmente seja destinada à Ásia, a interrupção ameaça intensificar a concorrência por um volume global limitado de oferta transportada por via marítima, à medida que a Europa reabastece seus estoques de gás antes do próximo inverno.