Petróleo brasileiro gera 'inveja' na Guiana Francesa: veja os motivos do debate, que já chegou em Paris
Em Saint Georges de l’Oyapock, no leste da Guiana Francesa, Steve Norino observa o contraste cada vez maior com a cidade brasileira de Oiapoque, no Amapá, situada na margem oposta, que vive um boom sem precedentes desde que a Petrobras iniciou as operações para a exploração de petróleo em águas profundas por ali.
Em alta: Petróleo Brent atinge US$ 70 o barril com Trump intensificando ameaças ao Irã
Na Venezuela: Petrobras não descarta exploração de gás natural no país latino americano, diz diretora
Uma viagem de apenas 15 minutos de canoa separa os dois municípios, mas o agricultor guianense, entrevistado por telefone pela AFP, resume o cenário:
— Em Oiapoque há de tudo, em Saint Georges não há nada.
O contraste será tema de um debate em Paris, já que, nesta quinta-feira, o Parlamento francês deve analisar uma proposta de lei do deputado guianense Georges Patient, que pretende voltar a autorizar a exploração e produção de hidrocarbonetos nos territórios franceses ultramarinos, proibidas desde 2017 pela chamada lei Hulot. A Guiana Francesa é parte do território da França.
Initial plugin text
Embora a Petrobras ainda esteja na fase de exploração ao longo da costa, a diferença entre as duas margens do rio Oiapoque é evidente. Do lado francês, a atividade comercial está concentrada em um único hotel pequeno e dois pequenos mercados para um município de 4.000 habitantes.
Sonda de perfuração NS-42, responsável pela perfuração do poço em águas profundas do Amapá
Divulgação/Agência Petrobras
Do lado brasileiro, 30.000 pessoas vivem em uma cidade que se tornou um polo de atração para todo o estado do Amapá, na altura da foz do rio Amazonas. Todos os fins de semana, guianenses atravessam a fronteira para fazer compras com preços menores ou para passear em família. Saint Georges serve de estacionamento para quem prefere deixar seus veículos do lado guianense.
Importadores alertam: Mesmo após reduzir preço da gasolina, Petrobras ainda está acima do nível internacional
Muitos já foram convencidos.
—Não fizemos a mineração de ouro industrial, mas podemos fazer a atividade petrolífera — disse Jean Luc Le West, vice-presidente da Coletividade Territorial da Guiana (CTG), que sugere a construção de uma refinaria para tratar, segundo as normas europeias, o petróleo dos países vizinhos.
A lei Hulot de 2017 proíbe qualquer prospecção de hidrocarbonetos no território francês, tanto em terra como no mar.
Margem equatorial - Mapa
Divulgação/Agência Petrobras
A licença de exploração da Total (que virou TotalEnergies em 2021) ao longo das costas da Guiana Francesa expirou em 1º de junho de 2019 sem resultados conclusivos, fechando assim a porta para uma eventual indústria petrolífera local.
Expansão do refino: Petrobras vai investir R$ 6 bilhões para ter sua primeira biorrefinaria
Várias ONGs, como Amigos da Terra França, Surfrider Foundation Europe, Réseau Action Climat e Greenpeace, expressam oposição ao texto que será debatido no Parlamento, por considerá-lo um "contrassenso climático, um risco ambiental maior para territórios já expostos e um absurdo econômico".
"Se a situação econômica e social dos territórios ultramarinos é alarmante, em particular na Guiana e em Mayotte, apresentar a exploração das energias fósseis como uma solução constitui uma promessa enganosa e irresponsável", alertaram as organizações em um comunicado.
Initial plugin text
