Petroleiro ativa 'modo furtivo' e fica todo apagado para conseguir passar por Estreito de Ormuz

 

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Um petroleiro com bandeira da Líbia com destino à Índia conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã em meio ao conflito no Oriente Médio, através de um 'modo furtivo'. O navio passou pela região sem ser alvo de ataques após ficar todo escuro e evitar muitos barulhos.

As informações são do jornal indiano Hindustan Times.

A embarcação também desativou o sistema de comunicação, entrando em um sistema automático, que normalmente transmite a identidade, localização, rumo e velocidade do navio para outras embarcações e autoridades de monitoramento.

Normalmente, os navios fazem isso apenas em situações excepcionais, pois as normas marítimas internacionais exigem que o sistema permaneça ativo por questões de segurança e rastreamento.

No entanto, em zonas de conflito como o Estreito de Ormuz durante a guerra, os navios têm permissão para desligar temporariamente os seus transponders para evitar serem rastreados ou alvejados.

Essa tática permite que os navios reduzam o risco de serem alvos em meio à disseminação de interferências de sinal, falsificação de sinais e ataques com mísseis relatados na região.

O petroleiro carregava petróleo bruto saudita e comandado por um capitão indiano, atracou no porto de Mumbai na noite de quarta-feira (11).

O navio-tanque carregou petróleo bruto no porto de Ras Tanura, na Arábia Saudita, em 1º de março e zarpou dois dias depois. Os dados de rastreamento marítimo mostraram seu último sinal dentro do Estreito de Ormuz em 8 de março, antes de desaparecer dos sistemas de monitoramento.

Segundo autoridades portuárias , o navio reapareceu nos bancos de dados de rastreamento no dia seguinte.

Guerra no Irã está gerando o maior impacto no mercado de petróleo na história, diz agência de energia

Refinaria de petróleo

PxHere

Um comunicado divulgado nesta quinta-feira (12) pela Agência Internacional de Energia destaca que a a guerra no Irã e no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, está causando o maior impacto da história no mercado de petróleo.

A agência alerta que a oferta global de petróleo deverá cair em 8 milhões de barris por dia em março, devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O texto observa que os países do Golfo já reduziram a produção total de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia – um volume equivalente a quase 10% da demanda mundial.

'A paralisação da produção a montante levará semanas e, em alguns casos, meses para retornar aos níveis pré-crise', acrescenta o relatório.

Os preços do petróleo ultrapassaram novamente os US$ 100 por barril após mais caminhões-tanque de combustível terem sido atingidos por barcos carregados de explosivos em um suposto ataque iraniano nesta quinta.

Dois petroleiros pegaram fogo em águas iraquianas após o que aparentavam ser ataques iranianos, enquanto o Irã alertava que o mundo deveria se preparar para o petróleo atingir US$ 200 o barril.

Um funcionário iraquiano disse à mídia estatal que seus portos petrolíferos 'paralisaram completamente as operações'. Outros países retiraram embarcações da área por precaução.

Com mercados de petróleo sentindo o impacto da guerra no comércio global, Donald Trump insistiu que os EUA haviam vencido a guerra, mas não queriam ter que voltar a ela a cada dois anos .

'Não queremos ir embora mais cedo, não é? Temos que terminar o trabalho', comentou.

Trump também afirmou ter afundado 28 navios iranianos lançadores de minas no estreito.

De acordo com a agência Reuters, o Irã atacou ao menos seis navios petroleiros na área.

Teerã instalou ainda cerca de uma dúzia de minas na rota marítima, o que aumentou a tensão em um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo.

Mesmo diante das ameaças, Trump declarou que as empresas petrolíferas devem continuar utilizando a rota.

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, os países da Agência Internacional de Energia decidiram liberar quatrocentos milhões de barris de petróleo das reservas de emergência para tentar conter a alta dos combustíveis. É a maior liberação já feita pelo grupo.

Com a guerra, o preço do barril chegou perto de 120 dólares na segunda-feira, maior nível em quase quatro anos.

Navio tailandês atacado no Estreito de Ormuz.

HANDOUT/ ROYAL THAI NAVY/AFP