Petrobras retoma obra bilionária de fertilizantes parada desde a Lava Jato
A Petrobras vai retomar as obras de um projeto que estava paralisado desde 2014. O Conselho de Administração da estatal aprovou, na noite de segunda-feira, a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.
Com isso, a empresa prevê investir cerca de US$ 1 bilhão para concluir o empreendimento, que havia sido suspenso após a Operação Lava Jato revelar casos de corrupção em diversos projetos da companhia. Estima-se que a empresa já tenha gasto cerca de R$ 3 bilhões no empreendimento, que está oficialmente "hibernado" desde 2015.
Início de operação em 2029
Com o aval, o início das operações comerciais está previsto para 2029, já que o empreendimento estava com cerca de 80% das obras concluídas. Com a aprovação final, a Petrobras dará sequência à assinatura dos contratos necessários para a retomada das obras, prevista ainda para o primeiro semestre deste ano. A expectativa é que sejam gerados cerca de 8 mil empregos durante as obras.
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, a estatal chegou a conversar com o grupo russo Acron para a venda da unidade, sem sucesso. Depois, a Petrobras iniciou conversas com empresas chinesas para buscar parcerias para a finalização do projeto. A continuidade da implantação da unidade havia sido aprovada pelo Conselho em outubro de 2024.
As unidades de fertilizantes voltaram ao radar da Petrobras após o presidente Lula retornar ao poder. Antes, a expectativa era que a estatal vendesse as unidades. Antes da UFN III, a estatal já retomou as operações da Ansa, no Sul, e das Fafens na Bahia e em Sergipe.
— Ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes — afirma o diretor de Processos Industriais da companhia, William França.
A capacidade nominal da UFN III está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, matérias-primas fundamentais para os setores de fertilizantes e petroquímico. Para especialistas, a retomada do empreendimento é estratégica para o país, ao ajudar a reduzir a forte dependência externa do Brasil nesse mercado.
— O Brasil ainda importa grande parte dos fertilizantes que consome, o que torna o agronegócio vulnerável a choques externos, como crises geopolíticas e variações cambiais. Projetos como a unidade em Mato Grosso do Sul são fundamentais para dar mais previsibilidade de custos ao produtor rural e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro, ao ampliar a oferta doméstica e diminuir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional — afirma Jorge Renato de Andrade, professor da Universidade Federal de Pernambuco.
