Petrobras quase dobrou o lucro durante a guerra de Trump no Oriente Médio: por que o ganho foi além do esperado?

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Petrobras superou ontem todas as expectativas de analistas de mercado e apresentou o seu terceiro maior lucro líquido trimestral da história: R$ 52,4 bilhões entre abril e junho. A estatal praticamente dobrou o resultado do mesmo período do ano passado.

A alta foi de 96,8%, superando a estimativa dos analistas de mercado, em torno de R4 45 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro subiu 37,6% e alcançou R$ 85,1 bilhões. O lucro da guerra: Soma de ganhos de 5 gigantes petrolíferas globais dispara 160% com conflito no Irã e chega a US$ 47 bi Índice Big Mac: na América Latina, Brasil só está atrás de Guatemala e Venezuela em ranking de moeda mais desvalorizada frente ao dólar Os R$ 93,8 bilhões em lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização superaram o consenso médio de R$ 91,3 bilhões compilado pela agência Bloomberg entre agentes do mercado. O recorde na sua produção de petróleo no pré-sal contribuiu para o resultado da Petrobras, mas a disparada do petróleo após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, teve papel-chave no balanço financeiro.

O período entre abril e junho foi o primeiro trimestre completo sob os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo. De acordo com a estatal, o preço médio do barril do Brent, referência internacional, no período, foi de US$ 104,52, uma alta de 54,1% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando a cotação foi de US$ 67,82.

Dessa forma, a Petrobras se juntou a grandes companhias, incluindo ExxonMobil, Chevron e Shell, na obtenção de lucros extraordinários em meio à desorganização do mercado de energia provocada pelas guerras na região do Golfo Pérsico e entre Rússia e Ucrânia. Na Europa: Shell vende negócios de energia renovável para a francesa TotalEnergies Funcionária confere amostra de óleo no navio-plataforma P-71, instalado no campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos, a 200 km da costa do Rio de Janeiro Márcia Foletto Dividendos de R$ 17,4 bi agradam investidores A receita de vendas foi de R$ 169,530 bilhões no segundo trimestre, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, o avanço chegou a 21%, para R$ 293,216 bilhões. Em um dos principais focos de atenção dos investidores, a Petrobras informou que vai distribuir R$ 17,4 bilhões em dividendos referentes ao segundo trimestre, também acima do previsto pelos analistas: R$ 15,8 bilhões.

Dessa forma, o montante repassado de janeiro a junho aos acionistas já soma R$ 26,43 bilhões. Do total, a União terá fatia de 28,67% ou R$ 7,58 bilhões para reforçar os cofres. — A Petrobras conseguiu combinar crescimento de produção, redução do custo de extração no pré-sal, maior utilização do parque de refino e forte geração de caixa. Outro ponto positivo é a continuidade dos investimentos em projetos como Búzios, Atapu e Sépia, que ajudam a sustentar a produção e a rentabilidade no médio prazo — analisou João Martins Fonseca, analista de petróleo da corretora Maximum. Cotação internacional turbinou ganhos A estatal brasileira contrariou a tendência entre suas maiores rivais, que direcionaram os lucros extraordinários para a redução de dívidas, sinalizando cautela quanto à durabilidade dos ganhos impulsionados pela guerra. A Petrobras privilegia a recompensa aos investidores com dividendos.

Pré-sal: Duas décadas após descoberta, desafio do país é repor reservas para manter autossuficiência Para Mariana Soares da Costa, economista-chefe da Oil Consulting, o resultado traz sinais de atenção, como a exposição ao Brent (barril de referência para o mercado brasileiro) e ao câmbio, que reforçam a dependência de fatores externos: — O trimestre mostrou aumento relevante da carga tributária, especialmente com o Imposto sobre Exportação de petróleo, e maiores despesas operacionais e judiciais. Outro aspecto que merece acompanhamento é o volume elevado de investimentos nos próximos anos.

Para analistas, o desempenho da estatal reforça a força do pré-sal, mas evidencia que os próximos trimestres dependerão da combinação entre preços do petróleo, avanço dos sistemas de produção e estabilidade regulatória e tributária. — É importante que a estatal acelere os investimentos em novas áreas de exploração e busque campos em áreas além da Bacia de Santos — diz Mariana, ao citar a Bacia da Foz do Amazonas. Produção recorde A maior produtora de petróleo da América Latina registrou produção recorde de petróleo e gás natural no período, à medida que novos poços em campos offshore gigantes elevaram a produção e suas refinarias operaram com taxas de utilização excepcionalmente altas, ajudando a reforçar o abastecimento doméstico de combustíveis.

A Petrobras está vendendo diesel e gasolina na porta das refinarias abaixo da referência internacional, segundo a Associação Brasileira de Importadores Abicom.

O governo brasileiro introduziu uma combinação de cortes de impostos e subsídios para aliviar o impacto nas bombas e impôs um imposto temporário sobre a exportação de petróleo para ajudar a compensar as medidas.

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