Petrobras fecha acordo com IG4 para controle compartilhado da Braskem

 

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Após a gestora IG4 Capital ter anunciado a compra da fatia da Novonor (ex-Odebrecht) na Braskem, Petrobras informou que assinou um acordo de acionistas com o novo sócio. O objetivo da estatal, diz o comunicado divulgado na noite desta quinta-feira, é ter o controle compartilhado em uma das maiores petroquímicas do mundo.

Com o negócio, que estava em discussão há meses, a IG4 Capital passa a ter 50,1% do capital votante da Braskem. E a Petrobras vai manter sua fatia, com 47% do capital com direito a voto. O restante das ações está em negociação no mercado.

Além disso, a estatal afirmou em comunicado que quer promover um aperfeiçoamento da governança na empresa ao lado da gestora IG4 Capital, que vai comandar a Braskem por meio do fundo de investimento Shine I, administrado pela Vórtx. A Petrobras já vinha indicando, desde o ano passado, que seu objetivo era ter maior poder na gestão da Braskem, que até então estava a cargo da Novonor.

Além disso, a estatal formalizou, conforme já havia indicado, que não vai exercer o seu direito de preferência (fazer proposta equivalente ao comprador em potencial e adquirir a participação à venda) nem o de tag along (vender sua fatia ao comprador em potencial), mecanismos previstos no acordo de acionistas que havia firmado com a Novonor.

Segundo a estatal, o acordo com a IG4 inclui a obrigação de obtenção de consenso entre as partes em todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral. A Petrobras terá ainda o direito de indicar número igual de membros para o Conselho de Administração e para a diretoria, em relação ao novo sócio.

Hoje, dos 11 membros do Conselho de Administração, a Petrobras tem apenas três cadeiras. Além disso, a estatal não tem participação na gestão da companhia, o que vinha contribuindo, nos últimos anos, para o desgaste entre as empresas.

"O Acordo de Acionistas será encaminhado à Braskem para adoção das providências cabíveis e entrará em vigor tão logo seja concluída a transferência de ações", disse a estatal. A Petrobras e a IG4 vão ainda apresentar a proposta de um novo estatuto social para a Braskem.

Na terça-feira, a IG4 já havia informado que o novo acordo de acionistas vai prever que “a governança da companhia será equilibrada” com a Petrobras, incluindo “a obrigação de obtenção de consenso nas deliberações” do Conselho de Administração e das assembleias de acionistas e “o direito à indicação, pelas partes, de número igual de membros para o Conselho de Administração e a diretoria estatutária”.

Após meses de negociações, a IG4 anunciou acordo com os bancos Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES, que detêm ações da Braskem dadas como garantia no processo de recuperação judicial da Novonor. O negócio é avaliado em R$ 20 bilhões, segundo fontes.

Com prejuízo líquido de R$ 11 bilhões em 2025 e uma dívida total de US$ 9,4 bilhões (R$ 47 bilhões), a Braskem enfrenta dificuldades financeiras e está à beira de pedir proteção contra credores. Ainda assim, a IG4 Capital garantiu, em nota, que “um novo plano de reestruturação” da companhia “será apresentado pela nova diretoria executiva tão logo assuma suas funções”.

A empresa vem enfrentando problemas no México, onde a subsidiária acumula elevada dívida e vem negociando com os credores um alongamento dos prazos de pagamento. Já chegou a se especular a venda das operações no país, no ano passado.

A crise na Braskem ganhou fôlego após os gastos e baixas contábeis associados ao desastre ambiental em minas de Maceió, em Alagoas, com o afundamento do solo. No fim de 2025, a companhia fechou acordo para pagar R$ 1,2 bilhão em compensação, mas ainda há riscos de mais gastos.

Desde 2018, a Novonor tenta se desfazer de sua participação na Braskem. Já houve negociações com a LyondellBasell, J&F (holding da família Batista, controladora da JBS), Apollo Global Management, Adnoc (estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos), Petrochemical Industries Company (PIC), subsidiária da Kuwait Petroleum Corporation (KPC), Unipar — principal rival brasileira da Braskem — e o empresário Nelson Tanure.