Petrobras diz que diesel subiria R$ 0,70 sem pacote do governo

 

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Magda Chambriard, presidente da Petrobras, disse que o aumento do diesel às distribuidoras seria de R$ 0,70 se não fosse o pacote anunciado pelo governo, com a subvenção aos produtores de diesel. Em coletiva de imprensa, a executiva lembrou, por outro lado, que a estatal vai manter o valor da gasolina no patamar atual.

Segundo ela, a adoção da MP com o subsídio (subvenção) aos produtores de diesel de R$ 0,32 e o reajuste de R$ 0,38 no preço do diesel, anunciado hoje, levam a um aumento potencial recebido pela Petrobras de R$ 0,70. Ou seja, parte desse valor (R$ 0,32) sairá do caixa do governo.

— Isso é quanto a Petrobras vai receber. A guerra foi determinante para esse aumento do diesel. Há 20 dias havia tendência de queda no preço. Estávamos nos preparando para reduzir o preço do diesel e fomos surpreendidos. E o governo interveio, evitando um aumento de R$ 0,70 no preço do diesel.

'Medidas podem ser tomadas a qualquer momento'

Com o cenário de guerra, Magda diz que a avaliação de preços é diária e que pode tomar medidas a qualquer momento.

— A Petrobras está seguindo sua estratégia. Vamos continuar acompanhando os preços no mercado internacional, e novas medidas podem ser tomadas a qualquer momento. Estamos falando do diesel e estamos deixando a gasolina com o preço mantido. Os países estão tomando suas providências, com liberação de estoques. Há um esforço da Agência Internacional recomendando a liberação de seus estoques estratégicos. Estamos vendo os EUA falarem em flexibilizar o embargo ao petróleo russo, estamos vendo rotas alternativas. E tudo indica um aumento agora, com perspectiva de queda em algum momento. Nossa preocupação continua sendo não repassar a volatilidade.

Conversa com o governo

Perguntada se houve conversas com o governo, Magda lembrou que houve tratativas com o acionista controlador:

— Houve conversa com o governo. Se não fosse isso, não iríamos aderir à MP. O governo não interferiu na política de preços. E vários ministros de Estado tiveram o cuidado de afirmar que a Petrobras segue livre para conduzir sua política de preços.

Segundo ela, houve um esforço conjunto do governo para atenuar o aumento dos preços:

— Essa conjugação de esforços para atenuar os preços não muda em nada a política de preços da Petrobras. Não engessa nem altera. Embora o governo tenha buscado atenuar e mitigar completamente o aumento de preços requerido para a Petrobras, essa é uma medida voltada a todos os agentes, como importadores e refinadores privados, e não apenas para a Petrobras.

— A estratégia de preços continua a mesma. Identificamos a necessidade de reajustar um pouco. A última modificação ocorreu há 310 dias e foi um movimento de redução. Esse reajuste de hoje está em plena consonância com a estratégia de preços da Petrobras, cujo pilar fundamental é não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao mercado doméstico.