Pesquisadora carioca transforma cartas de crianças em mapa interativo audiovisual da Nova Zelândia

 

Fonte:


Uma ideia que surgiu num mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro ganhou o mundo e agora está sendo, em parte, reproduzida na distante Nova Zelândia. No trabalho que mistura audiovisual, visão das crianças e geografia, a pesquisadora e multiartista carioca Gisela de Castro explora as belezas e curiosidades do país da Oceania com um mapa interativo recheado de histórias. Disponível em uma plataforma digital chamada "Um voo sobre Aotearoa Nova Zelândia", o trabalho explora o que as crianças pensam sobre clima, lugar e futuro.

Mudança aprovada na Alerj: Pelé vira nome de estação do metrô no Maracanã

Veja lista: Jornalista lança guia infantil para passeios no Rio e dá dicas para atrações da Barra e região

São 22 vídeos em animação, que começaram a ser produzidos quando Gisela entrou em contato com 2.500 escolas pedindo cartas dos pequenos para o projeto. A plataforma trabalhou com 70 cartas representando 15 das 16 regiões da Nova Zelândia. A inspiração foram os trabalhos de artistas contemporâneas como Anna Bella Geiger, Sheila Hicks e Alexandra Kehayoglou, explorando fibras, texturas e cartografias afetivas.

— Crianças são frequentemente representadas por adultos. Quis criar um espaço onde elas pudessem falar por si mesmas. As cartas mostram um forte senso de pertencimento, espacialidade e uma consciência cuidadosa do meio ambiente. As crianças estão prestando atenção ao futuro, e devemos levar isso a sério — conta a pesquisadora.

De brinquedos quebrados à falta de iluminação: piores praças do Rio ficam nas periferias das zonas Norte e Oeste

Durante seu projeto de mestrado no Programa de Pós-graduação em Mídias Criativas da UFRJ, Gisela mostrou o Brasil aos brasileiros por meio de um videolivro interativo com tradução em Libras. “O livro das capitais”, como é intitulado, apresenta as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vídeos e textos poéticos associados a cada capital brasileira. Agora, como aluna de doutorado na Universidade de Waikato, ela pretende mostrar ao mundo uma visão lúdica da Nova Zelândia por meio da inovação.

As cartas das crianças

A ideia de coletar cartas infantis se inspira em cartas enviadas à Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, por estudantes australianos na década de 1980, e no pedido de cartas feito pela ex-primeira-ministra Jacinda Ardern durante a pandemia de Covid-19. Para o seu projeto, Gisela quis fazer um “mapa afetivo” da Nova Zelândia, incentivando as crianças a imaginarem suas cidades e regiões como lugares e personagens, e escreverem nas cartas.

Eles deveriam responder à pergunta: “Se sua região fosse uma pessoa, o que você diria a ela no futuro?”. Alguns imaginaram novas atrações para suas comunidades, enquanto outros refletiram sobre os lugares que guardam memórias pessoais.

Vida breve nas mãos do crime: por um ano, O GLOBO acompanhou dez adolescentes do tráfico; seis já morreram

Ava, de Northland, escreveu: “Whangarei, seria legal se você tivesse um parque aquático temático como Candy Land, que seria gratuito! Assim, mesmo quem não tem muito ainda pode ir ao parque e se divertir bastante”. Charlie, de Invercargill, focou em proteger lugares que importam para ele: “Eu adorava velejar no Lago Dunstan. Espero que este lago não seja prejudicado de nenhuma forma, para que outros possam criar boas lembranças do mesmo modo que eu. Realmente te amo muito, Cromwell”.

O conteúdo das cartas depois foi transformado em animação por uma equipe de profissionais brasileiros, neozelandeses e canadenses. Para combinar texto, ilustração, narração e som, foram reunidos sete animadores, três músicos, um editor, uma consultora de tecnologia, um artesão de crochê e um web designer.

A viagem da protagonista é conduzida pelo mascote Tara iti, a andorinha-fada da Nova Zelândia, uma das aves mais ameaçadas de extinção do país. A missão, segundo Gisela, é incentivar as crianças a enxergarem a leitura e a escrita como atos expressivos e a se verem como autoras, artistas e criadoras.

A versão experimental do website já está disponível em www.afoa.nz. Trabalhos adicionais estão em andamento e, enquanto isso, versões dos vídeos com narração para ampliar a acessibilidade estão disponíveis no YouTube.