Pesquisa revela impactos duradouros da gravidez na infância e adolescência

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Fonte da notícia: CBN CBN

Uma pesquisa da Plan Brasil, realizada com mais de 1.500 jovens mulheres em todo o país, mostra que a gravidez na infância e na adolescência provoca impactos duradouros na educação, na inserção no mercado de trabalho e na autonomia financeira das meninas.

O estudo comparou trajetórias de mulheres que engravidaram precocemente com as de jovens que não passaram por essa experiência e identificou um aumento de 49 pontos percentuais na probabilidade de abandono escolar entre aquelas que se tornaram mães antes da vida adulta. Em entrevista ao Estúdio CBN, a coordenadora de Advocacy de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Plan Brasil, Paula Alegria, explicou que o estudo ajudou a mensurar os impactos na empregabilidade, na escolaridade e na violação de direitos.

Os reflexos se estendem para a vida profissional e econômica. Segundo a pesquisa, 83% das jovens que engravidaram precocemente perderam oportunidades de emprego em razão da maternidade e da sobrecarga com os cuidados dos filhos.

O levantamento também aponta uma forte associação entre gravidez precoce e casamento infantil, especialmente entre meninas com menos de 14 anos, vítimas de estupro de vulnerável pela legislação brasileira.

"A gestação na infância e na adolescência não se encerra quando o bebê nasce. Os efeitos acompanham essas meninas ao longo de toda a vida", destacou Paula Alegria. O estudo ainda revela dificuldades de acesso ao aborto legal, estigmatização em escolas e serviços de saúde e falta de informação sobre direitos. De acordo com a pesquisa, muitas vítimas sequer sabem que podem interromper legalmente uma gravidez decorrente de violência sexual, enquanto relatos de preconceito e julgamentos afastam essas meninas da rede de proteção. Para a coordenadora da Plan Brasil, a prioridade deve ser fortalecer políticas públicas de prevenção e acolhimento.

"Uma das medidas mais urgentes é levar a sério a educação integral em sexualidade nas escolas. Estamos falando de educar para proteger e prevenir", defendeu.

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