Pesquisa revela como as palavras usadas para o corpo influenciam prazer e autoimagem feminina

 

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A maneira como as mulheres se referem à própria genitália vai além de uma escolha linguística casual e pode refletir aspectos profundos da relação com o corpo e a sexualidade. É o que aponta uma pesquisa recente que analisou como o vocabulário usado para nomear a vagina e a vulva se conecta a fatores como prazer sexual, autoestima e conforto com a própria imagem corporal. De acordo com o estudo, o uso de termos anatomicamente corretos tende a estar associado a maior familiaridade com o corpo e a uma vivência sexual mais segura.

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Os dados indicam que mulheres que adotam palavras como "vagina" e "vulva" no cotidiano demonstram, em média, mais confiança em relação à própria sexualidade. Já o emprego de expressões consideradas vulgares, como "boceta", aparece de forma ambígua: para algumas participantes, o termo funciona como sinal de autonomia e apropriação do próprio desejo; para outras, carrega sentidos ligados a estigma, constrangimento ou objetificação internalizada.

O estudo também observou que o uso frequente de apelidos infantis ou lúdicos, como "ppk" ou "florzinha", esteve mais frequentemente associado a sentimentos negativos em relação à genitália. Segundo as autoras, esse tipo de linguagem pode refletir distanciamento ou desconforto com o próprio corpo.

"Esses termos também foram associados a uma percepção mais negativa do prazer do parceiro no sexo oral, maior uso de produtos de higiene vaginal e maior abertura à labioplastia", afirmou Tanja Oschatz, pesquisadora da Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz, na Alemanha, e uma das autoras do estudo.

Curiosamente, o contexto em que as palavras são usadas faz diferença. Durante o sexo, o emprego de termos populares ou considerados chulos, como "xoxota", foi relacionado a relatos de experiências mais positivas, segundo Oschatz em entrevista ao site "HuffPost". Para a pesquisadora, a linguagem adotada no momento da intimidade pode refletir maior liberdade e conexão com o prazer.

Outro achado relevante envolve o uso da palavra "vagina" em situações sexuais. De acordo com a análise, essa escolha esteve associada a níveis mais altos de prazer e a uma maior frequência de orgasmos: "Isso sugere que uma palavra antes considerada pejorativa pode ser ressignificada por muitas mulheres e carregar um elemento de empoderamento."

Para chegar a esses resultados, o estudo ouviu 457 mulheres nos Estados Unidos, com idades entre 18 e 81 anos — a média foi de aproximadamente 37 anos. As participantes responderam quais termos utilizavam com mais frequência para se referir aos próprios genitais em dois contextos distintos: situações cotidianas, fora do ambiente sexual, e durante relações íntimas com parceiros.

Em seguida, elas preencheram questionários destinados a avaliar aspectos como autoimagem genital, satisfação sexual geral, frequência de orgasmos, atitudes em relação ao sexo oral e comportamentos de saúde. Entre eles, estavam o uso de produtos de higiene vaginal e a abertura à realização de labioplastia, cirurgia estética voltada à modificação dos pequenos ou grandes lábios.

No dia a dia, a pesquisa mostrou que cerca de 75% das mulheres afirmaram utilizar ao menos um termo anatômico, sendo "vagina" o mais recorrente. Expressões em tom de brincadeira também apareceram com frequência, mencionadas por aproximadamente 15% das entrevistadas, especialmente entre as participantes de faixas etárias mais altas.