Pesquisa mostra que mais da metade dos americanos acredita que a IA pode prejudicá-los
Os americanos estão cada vez mais se voltando contra a inteligência artificial, com maiorias crescentes dizendo temer que a tecnologia em rápida evolução tire seus empregos e prejudique a educação, de acordo com uma nova pesquisa da Quinnipiac.
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Cinquenta e cinco por cento dos americanos dizem que a IA fará mais mal do que bem em suas vidas cotidianas, um aumento de 11 pontos percentuais desde abril passado, segundo os resultados divulgados nesta segunda-feira.
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As preocupações dos americanos estão aumentando à medida que empresas investem enormes quantias na implementação da tecnologia, que se tornou um motor do crescimento econômico dos EUA.
Juntas, Amazon.com, Meta, Google e Microsoft planejam gastar um total de US$ 650 bilhões neste ano em infraestrutura de IA.
Bilionários da IA, como o capitalista de risco Marc Andreessen e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, destinaram dezenas de milhões de dólares às próximas eleições de meio de mandato dos EUA para eleger candidatos favoráveis à IA e pressionar por uma regulamentação mais leve.
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A construção de centros de dados tornou-se uma das disputas mais intensas relacionadas à IA nas próximas eleições, após protestos em comunidades por todo o país. Sessenta e cinco por cento dos americanos se opõem à construção de qualquer centro de dados de IA em suas comunidades.
O impacto nos custos de eletricidade, no uso de água e no ruído foram os principais motivos citados pelos entrevistados.
A pesquisa da Quinnipiac acompanha outros levantamentos que mostram que os americanos estão cada vez mais preocupados com a perda de empregos e a desinformação relacionadas à IA. Uma pesquisa da NBC News mostrou que os eleitores gostam ainda menos de IA do que do órgão de imigração e fiscalização (ICE na sigla em inglês).
Os temores do público refletem alertas feitos por algumas figuras proeminentes dentro da indústria de IA. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertou no início deste ano que a IA provocará uma disrupção “incomumente dolorosa” no mercado de trabalho.
Setenta por cento dos americanos acham que os avanços em IA provavelmente reduzirão as oportunidades de emprego, 14 pontos percentuais a mais do que no ano passado. Apenas 7% disseram acreditar que os avanços em IA devem aumentar as oportunidades de trabalho.
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Uma leve maioria dos americanos afirmou se opor ao uso de IA pelos militares para selecionar alvos, enquanto 36% apoiam essa prática. A pesquisa foi realizada após relatos de que o Pentágono utilizou tecnologia de IA da Anthropic para conduzir operações militares na Venezuela e no Irã.
Quase dois terços dos americanos disseram acreditar que a IA irá piorar a educação no país, enquanto apenas 27% acham que a tecnologia irá melhorar as escolas.
A Quinnipiac entrevistou 1.397 adultos nos EUA por telefone em meados de março. A margem de erro é de 3,3%.
