Pesquisa inédita mostra que 41% dos brasileiros de 16 anos ou mais têm contato diário com deepfakes

 

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Quatro em cada dez brasileiros de 16 anos ou mais (41%) relataram ter contato diário com deepfakes. Os dados são da pesquisa "Painel TIC - Integridade da Informação", lançada nesta sexta-feira pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que descrevem esse tipo de conteúdo como "imagens, vídeos ou áudios produzidos ou manipulados por Inteligência Artificial generativa para parecerem verdadeiros".

De acordo com o levantamento, a percepção desse contato é ainda maior entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (44%). Os pesquisadores ponderam que os dados expõem desigualdades associadas ao letramento digital, já que o desconhecimento sobre o tema ou sobre o contato com deepfakes atinge, em maior proporção, os integrantes das classes D e E (20%) e aqueles com menor escolaridade (24%).

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, disse em entrevista coletiva que os resultados da pesquisa evidenciam desafios de enfrentamento à manipulação informacional e a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em ano eleitoral.

— É um ano no qual os conteúdos produzidos por IA generativa trazem elemento adicional de complexidade para que a gente possa identificar quando um conteúdo é falso ou não. Essa pesquisa nesse ano, eu acho que é um grande alerta às instituições, ao Estado, aos próprios meios jornalísticos de que é preciso que nós, enquanto sociedade, revisitemos mecanismos para valorizar mais esse espaço tão importante para a democracia, que é o espaço informacional — destacou.

O levantamento foi conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e realizado com 5.250 usuários de Internet de 16 anos ou mais. Os dados foram coletados a partir de entrevistas via questionário online, entre agosto e setembro de 2025.

*Em atualização