Peru prende responsável por organização das eleições após falhas logísticas e retoma votação com Keiko Fujimori na liderança

 

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Um responsável pela organização das eleições no Peru foi preso pela polícia nesta segunda-feira após falhas logísticas no processo eleitoral, que deixaram mais de 60 mil eleitores sem votar no domingo. O país retomou nesta segunda-feira a votação, em um cenário que aponta a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori — condenado por violações de direitos humanos — como favorita para avançar ao segundo turno, com 16,9% dos votos, segundo a apuração oficial com mais da metade das atas contabilizadas.

Eleições no Peru: Com 63 mil impedidos de votar por falhas de organização, boca de urna indica 2º turno

Contexto: Peru vai às urnas com Keiko Fujimori na liderança em meio a crise política e aumento da violência

Em uma jornada eleitoral que já se desenhava imprevisível pela quantidade de candidatos na disputa, as eleições presidenciais no Peru do último domingo foram marcadas por graves falhas de organização e atrasos prolongados que impediram ao menos 63 mil eleitores de depositarem seus votos nas urnas — muitas das quais sequer chegaram a ser abertas até o fechamento das seções eleitorais às 18h (20h em Brasília). A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), organizadora das eleições, responsabilizou uma empresa de transporte contratada para distribuir o material pelos incidentes.

Falhas de organização e atrasos impediram ao menos 63 mil eleitores de depositarem seus votos nas urnas

ERNESTO BENAVIDES / AFP

As autoridades eleitorais estenderam os comícios por mais um dia, nos quais também são eleitos deputados e senadores, porque não conseguiram distribuir cédulas, urnas e outros materiais em 13 centros de votação no sul de Lima. Os eleitores afetados foram convocados nesta segunda-feira às 7h locais (9h no horário de Brasília). Assim como no dia anterior, também foram registrados atrasos.

— É uma perda de tempo e é incômodo. As autoridades são incompetentes — criticou Nancy Gómez, empregada doméstica de 56 anos, que votou na segunda-feira.

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Disputa pelo segundo lugar

As projeções indicam que os 50 mil votos em disputa nesta segunda-feira não ameaçariam a ida de Fujimori ao segundo turno previsto para junho. Com 53% das atas contabilizadas em nível nacional, disputam a posição o ultraconservador Rafael López Aliaga (14,5%), seguido de perto pelo social-democrata Jorge Nieto (12,8%).

Nestas eleições, mais de 27 milhões de peruanos foram convocados às urnas para escolher também deputados e senadores pela primeira vez desde 1990, já que o país voltará a ter um parlamento bicameral em julho.

O atual presidente interino, José María Balcázar, não podia se candidatar à reeleição.