Pernambuco, que vai voltar a monitorar tubarões após uma década, concentra 60% dos ataques do país

 

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Cinco dias após uma turista ser mordida por um tubarão durante um mergulho em Fernando de Noronha, o governo de Pernambuco decidiu voltar a monitorar esses animais. A retomada do projeto, que havia sido encerrado há 11 anos, foi publicada ontem no Diário Oficial. A previsão é que o trabalho comece em maio.

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O novo edital, com um investimento de R$ 1,052 milhão e duração de dois anos, vai financiar pesquisas acadêmicas para monitorar os padrões de deslocamento e a ecologia comportamental das espécies no litoral pernambucano. O estado concentra cerca de 60% dos ataques de tubarão registrados no país.


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Atualmente, o monitoramento contínuo dos animais ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha. Com a nova iniciativa, a atuação será ampliada para toda a costa continental. De acordo com o Executivo, os resultados vão permitir a identificação de zonas de risco, a geração de dados científicos atualizados e o aprimoramento das estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática.

Segundo a Secretaria estadual de Meio Ambiente (Semas), a metodologia do monitoramento contará com marcação de tubarões por meio de chips com transmissores acústicos e a implantação de receptores submersos distribuídos ao longo do trecho crítico do litoral. Também está prevista a integração dos dados com modelagem oceanográfica, sensoriamento remoto e variáveis ambientais, bem como o desenvolvimento de plataformas digitais integradas para análise, visualização e comunicação preventiva.

O projeto também promete aplicar o que chama de “metodologias participativas de ciência cidadã”, envolvendo comunidades pesqueiras, usuários do litoral e equipes operacionais. Por fim, será elaborado ainda um Plano de Ação Estadual para Pesquisa e Monitoramento de Tubarões em Pernambuco.

Recordista de incidentes

Dados do International Shark Attack File, que compila estatísticas globais sobre ataques de tubarão, apontam que o Brasil registrou 111 episódios do gênero desde 1931. Pernambuco é, com sobras, o estado com maior incidência, concentrando 65 casos, ou quase 60% do total.

Na sequência, vêm São Paulo, com 11, e Maranhão (10). Entre os estados com saída para o oceano, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Piauí, Pará e Amapá não aparecem no compilado organizado pelo Florida Museum of Natural History, que reúne apenas os ataques classificados como “não provocados”.

Já o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) traz números distintos. Nas contas do órgão, Pernambuco foi palco, desde 1992, de 81 ataques, sendo 67 na Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha.

O caso mais recente aconteceu na última sexta-feira, em Fernando de Noronha, quando a advogada e surfista Dayane Dalezen, de 36 anos, foi mordida na perna por um tubarão-lixa enquanto mergulhava com snorkel na Praia do Porto. Após o ocorrido, ela foi atendida no hospital da ilha e liberada. O ferimento foi considerado sem gravidade.

A advogada Dayane Dalezen ficou com a marca na perna da mordida do tubarão

Reprodução da TV Globo

Vídeos registrados pouco antes do ataque mostram um guia de turismo batendo em um tubarão para afastá-lo. Em entrevista à TV Globo, Dalezen afirmou que não sabe se aquele era o mesmo animal que a mordeu:

— O rapaz apenas afastou o tubarão. Ele é um mergulhador experiente, e essa é uma reação comum. Quando o animal chega muito perto, é preciso empurrá-lo. Isso não é uma agressão.

De acordo com a Semas, foram ampliados os esforços de prevenção direta e na qualificação da gestão da informação relativa ao tema, com a instalação de 150 novas placas de alerta nas praias da Região Metropolitana de Recife, por exemplo. A pasta diz ainda que firmou parcerias com a Universidade Federal Rural de Pernambuco e a Universidade Federal de Pernambuco e aumentou as embarcações em operação para ajudar na orientação preventiva de banhistas que se encontram em áreas de risco, tanto para afogamentos quanto para incidentes com tubarões.

*Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão