Perito afirma em depoimento que Henry Borel teria morrido em um processo 'lento e agônico'
O perito Luiz Carlos Leal Prestes, testemunha chamada pelo Ministério Público, afirmou no júri do caso Henry Borel que o menino teria morrido de duas a três horas antes de chegar ao hospital, em um processo descrito como "lento e agônico". A estimativa foi feita com base na temperatura corporal e na rigidez na mandíbula da criança.
Luiz Carlos Leal Prestes também afirmou que a morte não foi provocada apenas pela laceração no fígado e pela hemorragia interna apontada no laudo. Segundo ele, outras lesões graves contribuíram para o óbito, como trauma na cabeça com edema cerebral e hemorragias em outras regiões do corpo.
O perito é o primeiro a depor nesta sexta-feira, no quinto dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros. Segundo Prestes, a multiplicidade de lesões em partes diferentes do corpo afasta a hipótese de um acidente doméstico simples. Ele citou impactos na cabeça, no abdome e nas costas.
Essa avaliação confronta diretamente a linha da defesa de Jairinho. Os advogados do ex-vereador sustentam que a morte de Henry não foi provocada por agressões e dizem que houve falhas nos laudos e no atendimento médico.
Antes da sessão, o advogado Fabiano Lopes voltou a afirmar que a defesa pretende demonstrar que os laudos foram modificados e que um perito contratado vai tratar desse ponto no júri. Já a defesa de Monique Medeiros afirma que ela não participou das agressões, não sabia da violência sofrida pelo filho e também seria vítima da relação com Jairinho.
A defesa dela tenta afastar a acusação de homicídio por omissão, sustentando que Monique não tinha conhecimento do que estaria acontecendo com Henry. No depoimento desta sexta-feira (29), Prestes também disse que não há polêmica técnica sobre a morte do menino. Segundo ele, o caso trata de homicídio provocado por espancamento e violência contra uma criança.
O perito afirmou ainda que a equipe médica aplicou corretamente o protocolo de reanimação e que a laceração no fígado não poderia ter sido causada pela massagem cardíaca, porque o procedimento é feito no tórax, e não no abdome. Ele também disse que algumas lesões no nariz, na boca e no queixo foram provocadas depois da morte, durante a tentativa de intubação. Segundo o perito, essas marcas não tinham sangramento e eram compatíveis com o esforço da equipe médica para tentar reanimar Henry.
Depois de Luiz Carlos Leal Prestes, a expectativa é que seja ouvido o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, que aparece no rol do Ministério Público e da assistência de acusação. Ele deve falar sobre o laudo, as lesões encontradas no corpo de Henry e a causa da morte.
Se houver tempo, também pode começar o depoimento de Leniel Borel, pai do menino. Até agora, dez dos 27 depoimentos de testemunhas previstas já foram concluídos.
