Perimenopausa: conheça os sintomas que podem surgir ainda antes dos 40
Ainda é comum que muitas mulheres associem a menopausa a um tema restrito à faixa dos 50 anos, período em que costumam surgir sintomas mais conhecidos, como ondas de calor e mudanças no ciclo menstrual. O que nem todas sabem, porém, é que a transição menopausal pode ter início bem antes dessa fase da vida.
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Esse período que marca oscilações hormonais tem nome: perimenopausa. Os sintomas podem começar no final dos 30 anos, ou em alguns casos, antes mesmo do ciclo menstrual se tornar irregular. Segundo o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa pela North American Menopause Society (NAMS), sintomas que comumente surgem nessa fase são alterações cognitivas, como lapsos de memória e dificuldade de concentração, o que é conhecido como “brain fog” ou nevoeiro mental.
— Muitas mulheres relatam que se sentem mais distraídas, com menor capacidade de raciocínio e concentração, chegando a descrever a sensação de que ficaram ‘menos inteligentes’. Esses sintomas são comuns na perimenopausa, mas raramente são reconhecidos — pontua o médico.
Outros sinais iniciais incluem alterações do sono, maior ansiedade e irritabilidade, diminuição da libido e a sensação de que “não são mais como antes”. Sentir fadiga extrema, acordar cansada e se sentir exausta ao realizar a mesma rotina que antes não gerava esse impacto podem ser sinais da perimenopausa.
É o que aconteceu com a nutricionista Talita Sartori, de 39 anos, antes mesmo de completar 35. Ela só entendeu que seus sintomas eram sinal de menopausa quando foi diagnosticada com a menopausa precoce, ao fazer exames para detectar uma possível endometriose, que também foi confirmada.
— Descobri que meus episódios de insônia estavam associados à menopausa precoce, eu já tinha fogachos, que só melhoraram depois da reposição hormonal, mas ainda acontecem — diz Talita. — Minha menstruação era muito irregular e com pouco fluxo, e eu jamais imaginava que seria por causa da menopausa porque eu era muito jovem — acrescenta.
Padovesi explicar que do ponto de vista hormonal, essa fase da perimenopausa é marcada por grandes oscilações, e não por uma queda progressiva e linear dos hormônios, como muitas imaginam. Para ele, um dos grandes desafios do diagnóstico da perimenopausa é justamente o fato de não existir um exame específico capaz de confirmá-la.
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O desconhecimento sobre essa fase faz com que muitas mulheres se surpreendam ao perceber que já estão na perimenopausa, especialmente aquelas com rotinas intensas.
— Sobrecarga de trabalho, cuidados com filhos, responsabilidades familiares e profissionais acabam mascarando os sintomas e dificultando a percepção de que essas mudanças têm origem hormonal. Reconhecer essa fase precocemente permite tratar os sintomas de maneira adequada e preservar a qualidade de vida em um período que muitas mulheres ainda atravessam sem diagnóstico — ressalta o médico.
Perimenopausa tem tratamento?
Com relação ao tratamento da perimenopausa, o Dr. Igor Padovesi explica que consiste basicamente na terapia hormonal, a mesma utilizada para a menopausa em si.
— Esse é o tratamento padrão, tanto da perimenopausa quanto da menopausa. Medidas como atividade física, melhora do sono e redução do estresse são importantes como coadjuvantes, mas não substituem a terapia hormonal.
A introdução dos hormônios no dia a dia de Talita foram cruciais para a melhora na qualidade de vida, somados à prática constante de exercícios físicos.
— Entramos com uma reposição de hormônios, com estrógeno e progesterona, que tomo até hoje. Nunca tomei hormônios masculinos como testosterona, porque não é algo recomendado para mulheres em menopausa, então minha médica foi muito consciente — afirma a nutricionista.
