Perfeccionismo pode atrapalhar mais do que ajudar, alertam especialistas
Muito se fala de perfeccionistas: vĂĄrias vezes Ă© visto quase um super-poder, em entrevistas de emprego Ă© um clichĂȘ de âbomâ defeito. Mas, na verdade, pessoas com alto nĂvel de perfeccionismo podem sofrer do chamado perfeccionismo desadaptativo, que pode afetar profundamente o seu dia a dia.
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O perfeccionismo desadaptativo tem algumas marcas bem importantes, como relata Gabrielle Ilagan, doutoranda em psicologia na Universidade Fordham, nos Estados Unidos, no ManhattanCBT.
De acordo com ela, o perfeccionismo desadaptativo Ă© marcado por padrĂ”es elevados â muitas vezes inatingĂveis â que nĂŁo sĂŁo flexĂveis: vocĂȘ nĂŁo consegue alcançar certo nĂvel, mas, diferente de um perfeccionismo leve, vocĂȘ nĂŁo consegue deixar aquela tarefa para trĂĄs.
Outro sinal Ă© a sua autoestima: se a sua estĂĄ fortemente atrelada Ă capacidade de atingir a suposta âperfeiçãoâ, cuidado: âVocĂȘ encara os erros como uma falha sua como pessoa, e nĂŁo apenas como uma falha no seu desempenhoâ, diz.
âĂ compreensĂvel sentir culpa por ter cometido um erro. Mas Ă© diferente sentir vergonha porque vocĂȘ acredita que cometer erros significa que vocĂȘ tem menos valor como pessoaâ.
O medo excessivo de errar, que tende a levar ao esforço excessivo, Ă evitação ou Ă procrastinação tambĂ©m Ă© um sinal de que o seu perfeccionismo pode estar atrapalhando mais do que ajudando: âO medo do fracasso pode ser tĂŁo forte que leva ao resultado oposto. Ele pode impedir vocĂȘ de concluir ou atĂ© mesmo começar uma tarefa se vocĂȘ temer nĂŁo conseguir realizĂĄ-la perfeitamenteâ.
Muitas vezes, explica Ilagan, esse tipo de perfeccionismo estĂĄ ligado a casos de ansiedade e depressĂŁo: a pessoa sente que nunca consegue alcançar o que deseja, que precisa trabalhar mais que os outros para alcançar um resultado satisfatĂłrio ou acredita que ser perfeito Ă© a Ășnica maneira que outras pessoas vĂŁo gostar dela.
Isso leva a casos de ansiedade: âSe vocĂȘ Ă© perfeccionista, provavelmente se preocupa em cometer erros ou fracassar em seus objetivos. Ăs vezes, vocĂȘ tambĂ©m pode superestimar o risco de errar ou fracassar, pensando que serĂĄ reprovado na escola, demitido do emprego ou que as pessoas terĂŁo uma mĂĄ impressĂŁo de vocĂȘâ, diz.
âEssa ansiedade pode levar vocĂȘ a trabalhar demais ou a fazer esforços exaustivos para esconder suas falhas dos outrosâ.
O perfeccionismo tambĂ©m pode levar a transtornos alimentares: a busca pelo corpo supostamente perfeito. Ilagan explica os sinais: âVocĂȘ tem padrĂ”es rigidamente elevados sobre quanto seu corpo âdeveriaâ pesar ou sua autoestima depende de como vocĂȘ se vĂȘ no espelho, ou se vocĂȘ tem um medo intenso de ganhar peso ou de ter um corpo âimperfeitoâ.
Para ela, esses sĂŁo sinais de que vocĂȘ corre um risco alto de desenvolver um transtorno alimentar.
Ela cita, tambĂ©m, as âarmadilhas de pensamentoâ mais comuns do perfeccionismo desadaptativo: âtudo ou nadaâ ou âcatastrofizaçãoâ, quando a pessoa vai entre extremos: se ela nĂŁo ganhar uma competição, por exemplo, ela acredita ser um fracasso; o mesmo com uma vaga de emprego.
Outra armadilha Ă© a desqualificação do positivo: a pessoa tende a sempre ver, atĂ© suas vitĂłrias, por uma âlenteâ negativa: âpor exemplo, alguĂ©m pode ter concluĂdo um projeto excelente e recebido elogios do chefe no trabalho. Mas essa pessoa pode desvalorizar esse sucesso se pensar: âSĂł tive sorte de meu chefe ter gostadoââ.
