'Perdi tudo do meu restaurante... de novo', diz vítima da chuva em Juiz de Fora

 

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A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, foi atingida por fortes chuvas na noite de segunda-feira, 23. Na manhã desta terça, 24, a prefeita Margarida Salomão (PT-MG) decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as instituições da rede municipal de ensino nesta terça-feira.

Uma das pessoas atingidas pela chuva é Angélica Rezende Moreira, 44, proprietária do restaurante Cantinho da Massa. "Perdi tudo do meu restaurante", afirmou ela. "De novo." O estabelecimento já havia sido atingido pela chuva há menos de dois meses.

"A água não abaixava de jeito nenhum. É isso aí que vocês estão vendo: é barro, é lama", contou ela à reportagem. "Pessoas perderam não só as coisas de casa, mas a vida. Ninguém mais quer ficar aqui."

Como está a cidade

De acordo com a prefeitura, até segunda-feira já havia chovido mais que o dobro do volume esperado para todo o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso da história do município.

No bairro Nossa Senhora de Lourdes, foram registrados 186,1 milímetros de chuva apenas na segunda-feira. No mesmo período, o bairro Santa Rita acumulou 172,7 milímetros, e o Distrito Industrial, 161,2 milímetros.

O Rio Paraibuna subiu 65 centímetros em apenas 30 minutos e transbordou em diferentes pontos. Por causa disso, a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco, no centro, foram bloqueados.

Centenas de desabrigados

A Defesa Civil de Juiz de Fora estima que 440 pessoas estejam desabrigadas. Segundo a gestão municipal, as buscas por desaparecidos continuam nesta terça-feira, 24. Ao todo, foram registradas 251 ocorrências relacionadas às chuvas.

Também foram registrados dezenas de deslizamentos e queda de árvores, que bloquearam vias em diferentes regiões, além do transbordamento de três córregos e do desabamento de duas edificações.

A Prefeitura de Juiz de Fora acionou a Defesa Civil Nacional e a Defesa Civil Estadual. "Sugerimos também que as pessoas se desloquem o mínimo possível para evitar riscos desnecessários", afirmou a gestão municipal.