Suspeito de ter matado a ex-enteada de 14 anos a facadas, Wagno Arezi Henika foi preso preventivamente dentro da própria casa na noite desta terça-feira, em Encantado, no Rio Grande do Sul.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito teve um relacionamento de 13 anos com a mãe da adolescente, mas os dois estavam separados havia cerca de um mês.
A delegada Dieli Caumo, que investiga o caso, afirmou que o homem confessou o crime em depoimento e afirmou ter "perdido a cabeça" após uma briga com Alice Nitz:
— Ele confessou o crime e pelo o que nos informou foi uma motivação bem fútil, porque até então ele tinha um convívio pacífico com a vítima e toda a família, inclusive com a mãe dela.
Eles discutiram e ele só disse: "Perdi a cabeça e matei ela".
Ao GLOBO, Caumo explicou que, por falta de testemunhas e para não expor mais a família da adolescente, o motivo do conflito não será revelado.
Alice Nitz foi morta a facadas no início da tarde desta segunda-feira na residência do suspeito.
O corpo da adolescente foi localizado pelo irmão de Wagno, com quem ele dividia a casa.
De acordo com a delegada, a menina e o ex-padrasto mantiveram contato após o fim do relacionamento com a mãe e por isso a adolescente o visitava frequentemente.
No início da investigação, a polícia chegou a cogitar o crime de Vicaricídio — crime de matar um filho ou familiar próximo a uma mulher para punição — por conta da relação do suspeito com a mãe da vítima, mas a hipótese foi descartada pela relação descrita como "boa" de Wagno com a família da ex.
— Hoje chegamos à conclusão de que foi feminicídio porque ele tinha uma relação amigável, tanto com a mãe quanto com os filhos dela mesmo após o fim do relacionamento.
Não tinha relato de ele ser violento, e ele também não tinha medida protetiva ou ocorrências anteriores.
Ele mesmo disse que o crime não teria sido para punir a mãe da Alice e por isso descartamos o vicaricídio.
Alice tinha 14 anos e jogava futebol na escola Fênix FC Futsal Feminino de Encantado.
A direção da escola descreveu a adolescente como "alegria em estado puro".
"A Alice não era apenas uma jogadora, ela era uma amiga para todas as companheiras, uma parceira de time para além das quadras, ela era a alegria em estado puro.
Aquele seu jeitinho maroto, o sorriso fácil que contagiava qualquer vestiário e uma luz tão intensa que transbordava e iluminava a vida de todos ao seu redor.
É impossível pensar no nosso time sem lembrar da sua energia e do quanto você fazia todo mundo sorrir, até nos dias mais desanimadores.
Sempre tinha uma gracinha para alegrar as pessoas a sua volta.
Não tinha tempo ruim para ela", escreveu a escola em uma publicação.
