Apesar de a administração manter previsões de crescimento na casa de dois dígitos adiante, independentemente do ambiente macroeconômico, a XP Inc. sentiu no segundo trimestre de 2026 os efeitos da maior volatilidade do mercado, em meio às tensões geopolíticas globais. Perdas com a marcação a mercado, principalmente o aumento dos spreads na sua carteira de títulos de dívida, detrataram parte das rendas.
Segundo o CEO da XP, Thiago Maffra, não fossem "esses ventos contrários", o crescimento da receita bruta total seria superior aos 8% observados na comparação anual. Em conferência com analistas, o executivo afirmou que no primeiro semestre de 2026, o impacto total dessas perdas na receita foi de aproximadamente R$ 420 milhões, sendo cerca R$ 160 milhões especificamente no segundo trimestre.
Thiago Maffra, CEO da XP Inc. Carol Carquejeiro/Valor. A deterioração do mercado resultou ainda em uma redução acentuada nas ofertas primárias de renda fixa, o que pesou diretamente no segmento de serviços aos emissores e comprimiu as taxas com esse tipo de atividade.
Houve ainda uma mudança significativa na preferência dos clientes para produtos de liquidez diária, que possuem taxas de retorno ("take rate") menores para a companhia. Atualmente, cerca de 70% das vendas na plataforma de renda fixa são de produtos de liquidez diária, comparado a 30% há quatro trimestres.
A receita da XP é sensível a oscilações nos mercados de ações, taxas e crédito, mas Maffra mencionou que a volatilidade pode ser positiva para os volumes de negociação em mesas institucionais e clientes de varejo, ajudando a impulsionar as receitas nessas áreas específicas quando a atividade aumenta.
Maffra comentou que perto do fim do trimestre, começaram a surgir sinais de normalização de forma generalizada nos mercados. Houve uma recuperação gradual das ofertas primárias de renda fixa. Gustavo Alejo, novo executivo-chefe de finanças (CFO), acrescentou que no período houve impacto menor da atualização dos ativos em carteira a preços de mercado. Os spreads de crédito também tinham se estabilizado em maio e junho.
Inteligência artificial
Uma das iniciativas previstas para o segundo semestre é o lançamento do AI Advisor, uma estratégia de inteligência artificial voltada para escalar o atendimento a clientes. O foco são os perfis do varejo digital. A previsão de Maffra é que a ferramenta entre no ar neste mês ou início de setembro.
"Hoje, com um portfólio de produtos mais completo, incluindo serviços bancários, seguros e outros, conseguimos oferecer um bom serviço e ter uma boa rentabilidade por unidade, atendendo clientes com menor volume de transações", disse Maffra. "Podemos esperar, principalmente em 2027, um aumento significativo no número de clientes desse segmento."
Como a XP agora possui uma prateleira completa de produtos, incluindo serviços bancários e seguros, o AI Advisor permitirá atender esses clientes com uma economia unitária (unit economics) eficiente.
A iniciativa faz parte de um investimento maior em tecnologia, que inclui gastos com servidores e infraestrutura em nuvem, "buscando manter a empresa à frente do mercado por meio da inovação".
O objetivo é que a ferramenta não seja apenas uma intermediária de produtos financeiros, mas que assuma um papel de consultora de patrimônio, acompanhando o cliente em toda a sua jornada financeira, incluindo metas de longo prazo como aposentadoria, valendo-se de todo o cardápio de da XP, que extrapola investimentos.
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