Perda do BRB com o Master pode chegar a R$ 5 bi, diz diretor do BC em depoimento
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à PolÃcia Federal (PF) que a perda potencial do Banco de BrasÃlia (BRB) com a aquisição de carteiras do Master pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativas feitas pela área técnica da autoridade monetária.
De acordo com Aquino, o BC já identificou a necessidade de cerca de R$ 2,7 bilhões em provisões imediatas (reserva financeira) no banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Além disso, o Banco Central avalia determinar mais R$ 2,2 bilhões em reserva, por conta dos ativos entregues pelo Master ao BRB em troca das carteiras.
“A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste", disse Aquino no depoimento realizado no fim do ano passado.
As operações de compra e venda de carteiras estão na mira das autoridades como parte de um suposto esquema de criação e negociação de tÃtulos de crédito falsos entre o Master e o BRB.
O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito supostamente fraudadas, que foram vendidas pelo Master. O Banco Central mandou desfazer a operação no ano passado, ao identificar irregularidades.
O Master devolveu ao BRB os valores dar carteiras em ativos, que agora estão sob análise do Banco Central e da instituição pública.
Depoimento em dezembro
O diretor prestou depoimento no inquérito que investiga irregularidades na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB. Segundo ele, parte relevante dos ativos negociados era composta por créditos inexistentes, formalizados por meio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro financeiro comprovado.
Segundo Aquino, falhas de governança contribuÃram para que o problema não fosse identificado previamente pelo BRB. Ele afirmou que técnicas básicas de auditoria poderiam ter revelado a inexistência dos créditos.
O Banco Central comunicou os indÃcios ao Ministério Público e conduz processos administrativos sancionadores contra o Banco Master. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após decisão do ministro Dias Toffoli, que levou as investigações à Corte.
No depoimento à PolÃcia Federal, o diretor do BC afirmou que a autarquia já tinha conhecimento, desde março, de problemas nos créditos repassados pelo Banco Master ao BRB.
Segundo Aquino, naquele mês o Banco Central fez um questionamento formal ao BRB e, a partir disso, o banco passou a prestar informações periódicas à autoridade monetária, que passou a acompanhar o processo de substituição dos ativos.
"Em 8 de julho de 2025, por meio de ofÃcio, o BRB informa que está internalizando novos ativos. Nesse documento, o banco relata a incorporação de Credcesta (consignado), cartão benefÃcio, CRI, FII, tÃtulos do exterior, ações e cotas, como forma de substituição das carteiras adquiridas do Master, consideradas inexistentes", afirmou Aquino.
À PF, Aquino também negou ter sido alvo de pressões envolvendo o Master.
"Que eu tenha conhecimento como diretor de fiscalização, eu não conheço, não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar ou não liquidar de autoridades da República. Não tenho conhecimento", disse.
