Peptídeos: entenda a terapia que virou tendência entre celebridades e divide opiniões

 

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Prometendo desde melhora na qualidade da pele até aceleração do metabolismo, a chamada peptide therapy vem ganhando espaço em clínicas de longevidade nos Estados Unidos e despertando a curiosidade de quem acompanha de perto as novidades do universo do bem-estar. Impulsionado por relatos nas redes sociais e por menções feitas por celebridades, o tratamento, que utiliza pequenas cadeias de aminoácidos para estimular funções do organismo, passou a circular também no radar de influenciadores e profissionais da estética em outros países, incluindo o Brasil.

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A proposta da terapia parte de um princípio biológico simples: os peptídeos são estruturas formadas por aminoácidos, as mesmas moléculas que compõem as proteínas do corpo humano. Em tese, essas substâncias poderiam atuar como mensageiras celulares, estimulando processos ligados à regeneração da pele, ao metabolismo e ao ganho de massa muscular. Na prática, porém, os resultados divulgados ainda dividem opiniões na comunidade médica.

Nos Estados Unidos, o tema ganhou projeção ao ser citado por figuras conhecidas do público, como as atrizes Jennifer Aniston e Gwyneth Paltrow, além das empresárias Khloé Kardashian e Hailey Bieber. Em clínicas especializadas, frascos de peptídeos podem custar entre US$300 e US$600 — algo entre R$ 1.560 e R$ 3.120 na conversão aproximada. A exposição nas redes sociais, com depoimentos sobre supostos benefícios estéticos e de desempenho físico, ajudou a ampliar o interesse pelo método.

No Brasil, o assunto ainda aparece de forma mais discreta entre celebridades, mas profissionais da área de longevidade já relatam aumento na procura por informações sobre o tratamento, especialmente entre influenciadores e pacientes interessados em intervenções ligadas ao envelhecimento saudável.

Apesar da curiosidade crescente, especialistas reforçam que a terapia ainda levanta questionamentos importantes, sobretudo quando associada a promessas estéticas. A médica especialista em estética Fernanda Nichelle explica que os peptídeos vêm sendo amplamente investigados pela ciência e podem, de fato, representar um campo relevante para a medicina regenerativa no futuro. No entanto, ela ressalta que as evidências disponíveis ainda são limitadas.

"Os peptídeos estão sendo muito estudados na área de estética médica e podem ser uma grande promessa para os tratamentos futuros. No entanto, é importante ressaltar que não existe nenhum estudo comprobatório da eficácia deles", explica.

Outro ponto que merece atenção, segundo a especialista, é a questão regulatória. No Brasil, a aplicação ou injeção dessas substâncias na pele não possui autorização dos órgãos de vigilância sanitária.

"Também não é permitido no Brasil a aplicação e injeção de peptídeos na pele. Não existe nenhuma liberação por parte da Anvisa que permita injetar peptídeos ou aminoácidos na pele. Isso é muito importante que os pacientes saibam para entenderem o risco que podem estar correndo ao fazerem uso de algum desses tratamentos sem a devida orientação", alerta Dra. Fernanda.

Para a médica, o crescimento do interesse nas redes sociais reforça a importância de informação qualificada. Em um cenário em que tratamentos ligados à longevidade e à medicina regenerativa avançam rapidamente, distinguir inovação científica de promessas ainda não comprovadas torna-se essencial.

"O fascínio por soluções rápidas para saúde e estética é compreensível, mas é fundamental que qualquer tratamento seja baseado em evidência científica e dentro das normas regulatórias", finaliza.