PepsiCo reúne times de inovação, finanças, marketing, supply, vendas digitais e P&D para acelerar decisões estratégicas - QTU Questões do Universo

PepsiCo reúne times de inovação, finanças, marketing, supply, vendas digitais e P&D para acelerar decisões estratégicas

Fonte: Bandeira da fonte

Se há um denominador comum entre PepsiCo, Nestlé, Ingredion, Grupo 3corações e Ambev, as empresas mais inovadoras do prêmio Valor Inovação Brasil 2026 no setor de alimentos, bebidas e ingredientes, é que a inteligência artificial deixou de ser um tema experimental para se tornar uma camada operacional da indústria — ampliando, e não substituindo o trabalho humano.
Além disso, está deixando de ser somente uma ferramenta de produtividade para se tornar a infraestrutura invisível da inovação industrial, antecipando falhas em fábricas, acelerando decisões comerciais, personalizando treinamentos, automatizando processos logísticos e reduzindo o tempo de desenvolvimento de novos produtos.
Na líder da categoria, PepsiCo Brasil, a transformação digital deixou de ser responsabilidade exclusiva da TI para integrar a estratégia da companhia.
A estrutura foi reorganizada para aproximar tecnologia e negócios.
"Cerca de 90% do meu time de tecnologia está embarcado dentro de vendas", afirma Carolina Sevciuc, vice-presidente de Estratégia e Transformação Digital da PepsiCo.
A empresa também passou a reunir semanalmente e conjuntamente inovação, finanças, marketing, supply, vendas digitais e P&D para acelerar decisões.
Em 2025, ampliou de cinco para 17 as aplicações integradas usando a plataforma BEES, Growth Cycle e uma Sales Copilot baseada em IA.
O resultado foi expandir o atendimento – antes feito no modelo de “van sales” em que o vendedor/motorista percorria a rota e tirava ele próprio o pedido presencialmente –de 180 mil para 220 mil clientes no pequeno e médio varejo.
"Criamos um motor de inteligência que nos permite ampliar significativamente nossa capacidade comercial e esperamos dobrar o número de clientes nos próximos anos", diz a executiva.
Carolina Sevciuc, vice-presidente de Estratégia e Transformação Digital da PepsiCo
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A PepsiCo também lançou uma Digital Academy para capacitar vendedores e passou a medir indicadores ligados ao uso das ferramentas digitais e à experiência do cliente, refletindo uma mudança na forma de avaliar a inovação.
“É pensá-la dentro de um ecossistema, e não de um produto específico.
Temos KPIs importantes, claro, mas avaliamos também o percentual de tasks que meus vendedores estão utilizando, de inovação e net promote score (NPS) com o cliente.
São os novos KPIs da indústria.
No fundo, acredito que transformação digital é muito mais sobre pessoas do que sobre tecnologia.”
A Nestlé, segunda colocada, seguiu caminho semelhante ao criar um ecossistema próprio de IA.
O aplicativo Vende.Aí reúne informações comerciais para apoiar vendedores em tempo real e atua de forma integrada ao Nesplenish, plataforma que auxilia varejistas na gestão de estoques e pedidos.
A ideia era colocar os dados no centro da tomada de decisão.
“Embora façam parte da mesma estratégia de transformação digital e se complementem, eles têm públicos e objetivos diferentes.
O desenho do Vende.Aí foi feito em colaboração direta com vendedores, entendendo suas dificuldades", afirma Barbara Sapunar, diretora executiva de IT & Digital.
Já o Nesplenish, segundo a executiva, transformou uma relação essencialmente comercial em uma parceria estratégica.
Barbara Sapunar, diretora de IT & Digital da Nestlé Brasil: vendas com IA
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As soluções nasceram no DataLab, criado em 2019 para desenvolver aplicações próprias de IA para vendas, marketing, supply e recursos humanos.
Entre as inovações de 2025 também está o Mundo Surpresa.
“É uma experiência criada no Roblox, para maiores de 16 anos, para acompanhar o relançamento do Chocolate Surpresa, nascido na década de 80 e que trazia um card educativo colecionável sobre animais”, diz Sapunar sobre o produto, que agora tem foco em educação ambiental e agricultura regenerativa.
Desde o lançamento, o jogo registrou cerca de 30 mil acessos, com tempo médio de permanência de 10,5 minutos.

Além dessa inovação em forma de entretenimento, foi lançado o Nesverso, plataforma que utiliza IA, realidade virtual e gamificação para o treinamento de operadores das fábricas.
“O sistema adapta os conteúdos às necessidades individuais de cada profissional, oferecendo sessões de aproximadamente 20 minutos e personalizando o aprendizado conforme o ritmo de evolução de cada usuário.
Até este momento, já o utilizamos em sete de 18 unidades.”
Na Ingredion, multinacional americana voltada a soluções de ingredientes e terceira colocada no prêmio, a IA foi aplicada diretamente na produção industrial.
Em parceria com a startup Tractian, sensores instalados na fábrica de Mogi Guaçu (SP) monitoram vibração e ruídos das máquinas.
Integrado ao SAP, o sistema aprende o comportamento dos equipamentos, identifica desvios e recomenda manutenções preventivas, reduzindo custos operacionais.
"O que antes dependia da experiência do operador, de seu ‘ouvido’ em relação à máquina e uma calculadora, passou a ser analisado por IA, que está logada com o nosso sistema de gestão e que aprendeu o comportamento dos equipamentos, calculando, ainda, o impacto operacional de cada parada", afirma Rodrigo Furquini, diretor de marketing Brasil.
Segundo ele, o projeto, iniciado em 2023 e colocado em prática em 2025, evitou paradas de cerca de 800 horas e gerou economia estimada em US$ 13 milhões.
"Quando a máquina para e trava, o custo normalmente é muito maior."
No Idea Labs, centro de inovação da empresa, a IA também acelerou o desenvolvimento de ingredientes naturais, princípio central da empresa.
“Utilizando formulações preditivas, a Ingredion substituiu para um grande cliente a sucralose, um edulcorante artificial, por estévia, preservando sabor e textura e permitindo que o produto passasse a ser rotulado como composto por ingredientes 100% naturais”, diz o diretor.

O Grupo 3corações, quarto colocado, investiu R$ 14 milhões para nacionalizar um processo antes importado de “aglomeração” utilizado na fabricação de bebidas instantâneas, como cappuccinos e chocolates (que têm café solúvel, açúcar, chocolate, leite e outros ingredientes em sua formulação).
O desenvolvimento da tecnologia permitiu produzir internamente a mistura granulada que garante dissolução rápida, reduzindo dependência externa sem alterar a experiência do consumidor.
"O grande desafio era dominar esse know-how mantendo a mesma solubilidade e a mesma qualidade", afirma Francisco Gimenez, gerente de inovação aberta.
Durante os testes, ocorreram correções por conta de quebra de sabor, até se chegar a um maquinário que se adaptasse às necessidades.
Entre junho de 2024 e junho de 2025, o projeto gerou economia próxima de R$ 7 milhões, além de reduzir riscos cambiais e ampliar a autonomia para desenvolver novas formulações.
A empresa também evoluiu a Cora, arquitetura própria de IA, um ecossistema de microsserviços com 23 tecnologias distintas capaz de automatizar processos em diferentes áreas.
Um dos primeiros usos foi na logística: motoristas passaram a fotografar comprovantes de entrega pelo WhatsApp, enquanto a IA, integrada, valida automaticamente no próprio app assinatura, data e demais informações antes da baixa financeira.
"O processo eliminou um gargalo equivalente a R$ 26 milhões em recebíveis e liberou cerca de R$ 13 milhões em fluxo de caixa", afirma Gimenez.
Na Ambev, quinta colocada, o principal destaque em 2025 foi a consolidação nacional do produto Stella Artois Pure Gold, cerveja com 17% menos calorias e sem glúten.
A cerveja passou por um ciclo de desenvolvimento de vários anos, iniciado como Stella Sem Glúten, até chegar ao posicionamento atual.
"O produto só avançou para a expansão nacional no ano passado depois de um bom período de testes e aprendizado com consumidores.
Ela foi criada no Brasil e agora está sendo lançada no exterior", afirma Gabriela Gallo, diretora de inovação.
Grande parte desse processo ocorreu por meio do Zé Delivery, plataforma da empresa de entrega de bebidas que já tem dez anos e cerca de cinco milhões de usuários ativos, utilizada para testar conceitos, validar produtos e coletar feedbacks antes do lançamento em larga escala.
As pesquisas mostraram, por exemplo, que o nome inicial restringia o público ao enfatizar apenas a ausência de glúten, transmitindo a ideia de um produto voltado apenas para pessoas com restrições alimentares – além da embalagem inicial se confundir com a Stella tradicional.
Com o reposicionamento para Pure Gold, que ganhou mais elementos dourados na embalagem, e reforçando sabor e menos calorias, a cerveja registrou crescimento de 180% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.
O mesmo modelo de testes já está sendo aplicado à Skol Zero Zero, cerveja sem álcool e sem açúcar, lançada em 2026.
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