Pep Guardiola faz apelo humanitário por Gaza e critica ações de Israel: 'Não são mortos, são pessoas assassinadas'; veja vídeo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Pep Guardiola — ex-técnico do Manchester City, Barcelona e Bayern de Munique — fez um novo apelo humanitário através das plataformas da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em espanhol. Num vídeo de pouco mais de três minutos, divulgado no último domingo nos perfis da agência nas redes sociais, o famoso treinador espanhol chama a atenção para Gaza, na Palestina, alvo constante de ataques de Israel que tem vitimado a população civil. Guardiola destaca os efeitos da guerra, apontada por órgãos internacionais como um genocídio, nas crianças. Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países O que está acontecendo na França? Quatro perguntas para entender os protestos que tomaram o país O espanhol tem sido uma voz atuante e presente na defesa de Gaza nos últimos três anos, quando os ataques à Gaza por parte de Israel já fizeram milhares de vítimas. Órgãos oficiais falam em ao menos 74 mil pessoas assassinadas pelo governo de Benjamin Netanyahu. Os ataques aos palestinos ganharam força em outubro de 2023, quando o Hamas fez uma incursão no sul do Israel, sequestrando residentes. Desde os anos 1940, terras palestinas tem sido roubadas, num movimento de anexação ilegal, um dos motivos para as constantes conflitos desde então. Em seu vídeo recente, Pep Guardiola destaca o número de mortos nos últimos três anos, mesmo com um dito cessar-fogo há cerca de um ano, acordo que deveria ter encerrado os ataques contra os territórios palestinos, mas não é cumprido por Israel. Neste período em que os ataques deveriam cessar, as forças de ocupação assassinaram mais de 1 mil palestino, incluindo crianças e socorristas, em ações muitas vezes sob suspeitas de terem sido propositais. "Não são mortos, são pessoas assassinadas; não são números, são vidas que tinham nome, rosto, família, sonhos e lembranças. Não são danos colaterais, são crianças. E, quando deixamos de chamar as coisas pelo seu nome, quando aceitamos uma linguagem que esconde a dor, começamos a perder a nossa humanidade. Estamos vivendo um momento muito sombrio da nossa história. Vemos crianças em Gaza procurando seus pais entre os escombros, pedindo ajuda, passando fome, ficando sozinhas. Vemo-las perder tudo antes mesmo de terem tido a chance de crescer. E o inferno continua, e com ele, a desumanização do povo palestino. Suas vidas importam tanto quanto as nossas. A dor deles não nos é alheia", diz Pep Guardiola no início do vídeo. Arábia Saudita: País adota trabalho remoto em Riad e adia conferência de investimentos em meio à escalada de ataques dos houthis O espanhol ainda destaca as incursões violentas em outros territórios palestinos, como na Cisjordânia, recentemente no foco de atenção internacional pelo ataque violento de colonos de Israel contra a jornalista Heidi Levine, do Washington Post, que ficou gravemente ferida, e diplomatas da França, Bélgica e Polônia. Nem mesmo as oliveiras da região, plantação importante na cultura, subsistência e economia palestina têm escapada da escalada de violência dos colonos, que depredam as plantações e até mesmo roubam as árvores. Entidades já denunciam a conivência das forças armadas de ocupação de Netanyahu em permitir esses episódios de violência. "Até o momento, o governo de Israel assassinou mais de 74.000 pessoas em Gaza e continua dificultando a entrada de ajuda humanitária. E, enquanto Gaza segue sendo devastada, continuam as demolições de casas palestinas e os deslocamentos forçados na Cisjordânia. Nesse contexto, é importante lembrar algo. Para milhões de refugiados palestinos, o sofrimento não começou agora. Há décadas eles vivem o deslocamento, a violência, a perda, o luto, o trauma, a incerteza e a injustiça. E, ainda assim, seguem em frente. Como admiramos a resiliência do povo palestino! Mas eles não deveriam precisar ser resilientes. Nenhum povo deveria passar gerações inteiras demonstrando sua capacidade de suportar o sofrimento", diz Guardiola em outro trecho.

Imagens de satélite divulgadas recentemente, após meses sem plataformas como as da Google disponibilizarem dados, mostram Gaza devastada pelas incursões de Israel. Construções como casas, escolas e até hospitais foram destruídas em ataques direcionados, vitimando principalmente a população civil. Atualmente, a Faixa de Gaza concentra o maior número de crianças amputadas per capita do mundo e abriga o maior grupo de crianças amputadas da história moderna, segundo dados oficiais das Nações Unidas. "Nenhuma criança deveria crescer aprendendo a sobreviver antes de aprender a viver. E, nesse contexto terrível, existe uma organização que não deixou de estar ao lado deles um único dia sequer. Chama-se UNRWA. Há mais de 75 anos, a UNRWA acompanha os refugiados palestinos, oferecendo assistência à saúde, proteção e ajuda humanitária. Mas a UNRWA é muito mais do que ajuda. É também memória. É a instituição que preservou a história, a identidade e os direitos de gerações de refugiados palestinos. É a prova de que a sua existência não pode ser apagada. Hoje, apoiar a UNRWA é mais necessário do que nunca", destaca Pep Guardiola, num apelo para que a população no mundo possa contribuir com os esforças da agência. Por meio do site oficial é possível saber como apoiar as iniciativas. Marcas da brutalidade: Novas imagens de satélite expõem a destruição de três anos de guerra em Gaza; veja antes e depois Recentemente, artistas têm se posicionado firmemente sobre a situação na Palestina. Alguns têm sofrido boicotes por defender os palestino e denunciar o governo de Israel, como o rapper e cantor americano Macklemore, que foi expulso da turnê de Ed Sheeran, e a escritora irlandesa Sally Rooney, que teve a distribuição de seus livros suspensa no Reino Unido. A Human Rights Watch e agências da ONU denunciam que o governo de Israel utiliza a restrição intencional de água, alimentos, combustível e ajuda humanitária como estratégia militar em Gaza. "O silêncio, hoje, é uma forma de tomar partido. Mas não podemos olhar para o outro lado. A Palestina importa, e a Palestina precisa de justiça e paz", destaca Guardiola.

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