Pentágono obrigará militares americanos a serem testados para detectar níveis baixos de testosterona

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Pentágono publicou na quinta (17) um novo regimento que obrigará militares da ativa ou reserva do sexo biológico masculino, com mais de 30 anos, a passarem por testes para detectar deficiência de testosterona. As novas regras haviam sido publicadas há cerca de duas semanas, mas haviam sido retiradas logo em seguida do site do Departamento de Guerra dos EUA. No texto original, as militares de sexo biológico femino também deveriam responder se sofriam de fadiga e irregularidades no ciclo menstrual que pudessem estar relacionadas à desregulação hormonal. À rede de televisão ABC, um conselheiro de alto escalão do Secretário de Guerra, Pete Hegseth, afirnou que os documentos inicialmente publicados tratavam-se de um rascunho, cuja publicação foi acidental. Na nova versão, ainda não há regras impostas para exames de mulheres, mas o Pentágono anunciou que as novas normas para elas "estão sendo revisadas e serão publicadas após aprovação". Esta recomendação aborda a deficiência de testosterona masculina, estabelecendo triagem uniforme e cursos de tratamento por toda a Agência de Saúde de Defesa e atribuindo responsabilidade para sua observância. Ao identificar proativamente e tratar níveis hormonais abaixo do aceitável, o Departamento continua a investir na saúde de seus guerreiros, fortalecendo sua performance e maximizando sua força para prontidão.

O documento ainda destaca que os militares de mais de 30 anos devem passar por uma "avaliação estruturada de sintomas e riscos". Já os de menos de 30 anos podem solicitar a mesma avaliação, em que os níveis de testosterona serão medidos em dois dias separados, durante a manhã, e de jejum.

Além de níveis totais de testosterona, o Pentágono está interessado no valor circulante "livre" do hormônio. O segundo dia de coleta ainda incluirá a checagem dos níveis de hormônio luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH), responsáveis pela saúde reprodutiva e que indicam como anda funcionando a glândula pituitária. O Secretário pete Hegseth já havia anunciado no início dos anos que as tropas americanas passariam por testes anuais de testosterona, seguindo uma tendência que se tornou popular nos últimos anos. Os baixos níveis de testosterona seriam uma preocupação nas Forças Armadas segundo a imprensa americana, especialmente entre membros de Operações Especiais, em que o alto nível de estresse, desgaste físico intenso e alimentação com baixo consumo de calorias poderia impactar negativamente os níveis de testosterona — embora esta relação ainda esteja em estudo. A deficiência de testosterona é mais comum entre homens mais velhos, com diabetes ou obesidade. No entanto, o problema se tornou popular nas redes nos últimos anos, causando preocupação na comunidade médica de que a impressão seja maior do que o problema de fato é. Os exames de níveis de testosterona e a prescrição do hormônio para suplementação triplicou nos EUA nos últimos anos, mas estudos sugerem que até 25% dos homens que tomam testosterona suplementar não tiveram seus níveis testados antes do início do tratamento, segundo a Associação Urológica Americana (AUA).

Além disso, até um terço dos homens que recebem o hormônio não se encaixam nos critérios da deficiência de testosterona, segundo a AUA. Em comunicado à rede ABC, a associação esclareceu que "o diagnóstico exige tanto sintomas e/ou sinais de baixa testosterona quanto pelo menos duas medidas separadas de início da manhã da testosterona total demonstrando baixos níveis [do hormônio]". Militares já tinham acesso aos exames e ao tratamento com testosterona através do Tricare, plano de saúde das Forças Armadas dos EUA. No entanto, esta é a primeira vez que os exames tornam-se obrigatório nas avaliações anuais de saúde, que antes incluiam apenas vacinação, exames de visão e audição, além de outras avaliações de rotina.

O Pentágono não descriminou quais níveis são ideais para os militares americanos, nem informou se haverá consequências profissionais para oficiais com níveis baixos detectados em seus exames.

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