Pentágono diz que Trump 'controla acelerador' da guerra e repete índice da semana passada sobre redução de disparos do Irã

 

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O Pentágono manteve, nesta terça-feira, o tom de incerteza sobre a duração da guerra contra o Irã e repetiu os mesmos números divulgados na semana passada sobre a redução da capacidade militar iraniana. Em coletiva, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, evitou prever quando o conflito poderá terminar e afirmou que quem "controla o acelerador" do cronograma da guerra é o presidente Donald Trump, que tem oscilado em suas declarações sobre a duração da campanha nos últimos dias.

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Com projeção de uma vitória que classificou como “decisiva”, Hegseth afirmou que os EUA realizarão o “dia mais intenso” de ataques contra o Irã desde o início da guerra. A declaração foi feita ao lado do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, que repetiu índices divulgados na semana passada sobre a redução dos ataques retaliatórios iranianos com mísseis.

— O maior número de caças, o maior número de bombardeiros, o maior número de ataques — afirmou Hegseth. — Estamos vencendo de forma decisiva, com brutal eficiência, domínio aéreo total e uma vontade inabalável de alcançar os objetivos do presidente. Mantemos o foco no alvo.

De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas atividades militares americanas no Oriente Médio, as forças americanas atacaram mais de 5 mil alvos no Irã desde o início da guerra. Os alvos dos EUA, ainda segundo o Centcom, incluíram bases de mísseis balísticos, sistemas de defesa aérea iranianos e a poderosa Guarda Revolucionária Islâmica do país.

Segundo o secretário, os objetivos da "Operação Fúria Épica" permanecem inalterados: destruir os arsenais de mísseis iranianos e seus lançadores, desmantelar a base industrial de defesa do país, neutralizar a Marinha do Irã e impedir permanentemente que Teerã obtenha armas nucleares.

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— Estamos esmagando o inimigo de forma implacável. Fazemos isso no nosso tempo e da maneira que escolhemos — declarou.

Hegseth voltou a acusar o regime iraniano de tentar desenvolver armas nucleares e afirmou que Trump “não permitirá” tal avanço. Também acusou as forças iranianas de atacarem deliberadamente civis.

— O Irã está sozinho e está perdendo feio. Eles sabem que suas forças estão sendo sistematicamente enfraquecidas e aniquiladas — disse.

O secretário evitou prever quanto tempo a guerra deve durar, mas, por três vezes na coletiva, afirmou que o conflito não será abrangente.

— Sabemos exatamente o que estamos tentando alcançar aqui, dentro de um escopo adequado, e o povo americano pode ter certeza disso.

Na semana passada, Hegseth havia estimado que a guerra poderia durar de três a oito semanas, mas recuou nesta terça-feira.

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— Não cabe a mim avaliar se estamos no começo, no meio ou no fim — afirmou, acrescentando que Trump “controla o acelerador” do cronograma da guerra.

Avanço militar

Ao apresentar um mapa com os principais alvos atingidos, o general Dan Caine afirmou que os ataques mostram “progresso significativo” na redução das capacidades militares iranianas.

— Os ataques com mísseis balísticos caíram 90% em relação ao nível inicial, e os drones de ataque unidirecional diminuíram 83% desde o início da operação — afirmou.

Caine também destacou avanços na ofensiva contra a Marinha iraniana.

— Mais de 50 navios de guerra iranianos foram atingidos — disse, acrescentando que o foco das forças americanas permanece na destruição da “base militar e industrial” do país para impedir novos ataques contra interesses dos EUA e de aliados.

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Segundo o general, as tropas americanas operam com “relativa impunidade”, embora reconheça riscos.

— Sempre existe um risco — ponderou.

'Grande erro' do Irã

Hegseth criticou os ataques iranianos contra países do Golfo e afirmou que Teerã cometeu um erro estratégico ao atingir nações vizinhas.

— Foi um grande erro do regime iraniano atacar seus vizinhos logo de cara, agindo de forma imprudente — disse.

Para o secretário, a decisão de Teerã pressionou outros países a apoiarem a campanha militar liderada por Washington.

As autoridades iranianas, no entanto, rejeitaram qualquer possibilidade de cessar-fogo. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nas redes sociais que o país “absolutamente” não pretende interromper os combates.

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Hegseth também enviou um recado direto ao novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.

— O novo líder do Irã faria bem em acatar as palavras do nosso presidente, que é não buscar armas nucleares — afirmou.

Trump repete que guerra 'vai acabar em breve'

Trump, durante coletiva na segunda-feira, repetiu que a guerra no Irã "vai acabar em breve", pouco mais de uma semana após lançar, ao lado de Israel, intensos bombardeios que causaram grandes estragos ao país e que tiveram impacto em todo o Oriente Médio. O presidente questionou o processo de sucessão na República Islâmica, que escolheu um novo líder supremo no fim de semana, e minimizou os impactos da disparada do preço do petróleo. Ele disse ainda que pode retirar sanções para reduzir os preços do barril, sem dar detalhes e citar a Rússia.

Na entrevista coletiva, Trump alegou que "aniquilou completamente todas as forças do Irã", atingindo mais de 5 mil alvos desde o início do conflito, "incluindo locais responsáveis ​​pela fabricação de drones, poder naval iraniano e capacidade de mísseis".

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— Isso vai acabar em breve — disse, se referindo à guerra. — E se recomeçar, eles serão ainda mais afetados.

Segundo ele, alguns alvos foram "deixados para depois", fazendo referência à infraestrutura energética iraniana, já sob ataque de Israel desde o fim de semana.

— Estamos esperando para ver o que acontece antes de atacá-los — afirmou, antes de dizer que esses locais poderiam ser destruídos "em menos de um dia".