Pentágono cancela envio de brigada à Europa como parte do plano de Trump de reduzir presença militar no continente

 

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O Pentágono cancelou de forma abrupta o envio de uma brigada blindada à Polônia, em mais um movimento que reforça o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir a presença militar americana na Europa e reposicionar sua estratégia de defesa, com maior foco no território nacional e no Indo-Pacífico. A decisão surpreendeu parte da cúpula militar, já que equipamentos e tropas já estavam a caminho do continente, segundo o Wall Street Journal.

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O cancelamento envolve a 2ª Brigada de Combate Blindada da 1ª Divisão de Cavalaria, com mais de 4 mil soldados. Parte da unidade, conhecida como “Black Jack”, já havia iniciado o deslocamento quando a operação foi interrompida, segundo autoridades do Departamento de Defesa.

A medida ocorre em meio a uma reconfiguração mais ampla da presença militar dos EUA na Europa, que inclui a retirada de 5 mil soldados da Alemanha — anunciada neste mês após críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, à condução da guerra dos EUA contra o Irã.

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Trump indicou que os cortes devem ir além. Em declarações recentes, afirmou que pretende reduzir “muito mais do que 5 mil” militares estacionados na Alemanha e não descartou retirar tropas também da Itália e da Espanha.

A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla do Pentágono, que prevê maior responsabilidade dos aliados europeus pela própria segurança, enquanto os EUA focam na defesa do território nacional e do Indo-Pacífico.

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Dentro desse contexto, a suspensão do envio da brigada foi interpretada como parte de uma aceleração desse processo. Comandantes militares haviam proposto uma redução gradual das forças na Alemanha, com ajustes feitos ao longo do tempo. No entanto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, optou por antecipar cortes e interromper uma operação que já estava em curso.

A decisão foi comunicada durante uma reunião entre o Comando Europeu dos EUA e o Estado-Maior do Exército na Europa e África, segundo uma autoridade americana. Até então, a recomendação militar era que a brigada não fosse substituída após seu ciclo regular de nove meses — e não que o envio fosse cancelado antes mesmo de ser concluído.

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A mudança também ocorre em meio a tensões políticas com aliados europeus. No mês passado, o WSJ noticiou que o governo Trump avaliava retirar tropas de países que não apoiaram os EUA na guerra contra o Irã.

Apesar disso, a relação com a Polônia permanece próxima. O próprio Trump chegou a sugerir recentemente que poderia transferir parte das tropas baseadas na Alemanha para o país, cenário que torna o cancelamento da brigada ainda mais sensível em Varsóvia.

O ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que a decisão não afeta diretamente o país e está ligada a mudanças mais amplas na presença militar americana na Europa. Segundo ele, o fortalecimento das forças armadas polonesas, aliado à presença dos EUA, mantém a segurança no flanco leste da Otan.

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A Otan, por sua vez, indicou que pretende manter uma presença robusta na região, apesar das movimentações americanas.

A decisão do Pentágono também se soma a outras iniciativas recentes para reduzir a atuação militar dos EUA no continente. Neste mês, o governo anunciou que está revertendo um plano da gestão anterior de enviar à Alemanha um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance.

Além disso, no ano passado, os EUA já haviam decidido retirar uma brigada de combate da Romênia.

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Com as mudanças, o número de tropas americanas na Europa deve retornar a níveis semelhantes aos de 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, marcando uma inflexão na estratégia militar americana no continente.