Pentágono anuncia retirada de cerca de 5 mil soldados da Alemanha após chanceler Merz dizer que EUA foram 'humilhados' pelo Irã

 

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O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ordenou a retirada de cerca de 5 mil soldados da Alemanha no próximo ano, informou o Pentágono na sexta-feira. A medida surge após o chanceler alemão Friedrich Merz criticar a forma como o presidente Donald Trump tem lidado com a guerra no Irã. A medida ocorre também após Trump anunciar a possibilidade de reduzir tropas americanas também na Itália e Espanha, intensificando a pressão sobre aliados da Otan.

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"Esta decisão surge após uma análise minuciosa da presença militar do Departamento na Europa", afirmou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em comunicado. "Prevemos que a retirada seja concluída nos próximos seis a doze meses."

Segundo o Wall Street Journal, autoridades americanas disseram que a decisão levará à retirada de uma brigada do Exército. A medida também reverte um plano do governo Joe Biden de enviar à Alemanha um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance ainda este ano. O envio havia sido anunciado conjuntamente por Estados Unidos e Alemanha durante a cúpula da Otan de 2024, em Washington.

O chanceler Friedrich Merz entrou na mira de Trump após afirmar que os Estados Unidos estavam sendo "humilhados" pelo Irã e criticar a falta de uma estratégia clara para encerrar a guerra.

Trump respondeu diretamente em sua rede social, afirmando que Merz "não sabe do que está falando" e atacando também a situação econômica alemã. O presidente americano já havia feito ameaça semelhante durante seu primeiro mandato, quando Angela Merkel ainda comandava o governo alemão.

A Alemanha concentra a maior presença militar americana na Europa, com 36.436 militares da ativa estacionados permanentemente no país, segundo dados do Departamento de Defesa dos EUA divulgados em dezembro de 2025.

Atritos com Itália e Espanha

A ofensiva do presidente americano não é inédita. Em março, Trump já havia ameaçado rever a presença militar dos EUA na Europa como forma de pressionar aliados que, segundo ele, não demonstram apoio suficiente à política externa americana.

Na Itália, a relação com a primeira-ministra Giorgia Meloni se deteriorou por causa da resistência de Roma em aderir diretamente ao conflito com o Irã. Antes uma aliada próxima de Trump, Meloni passou a ser alvo de críticas do presidente, que chegou a afirmar que lhe faltava “coragem”. O desgaste aumentou após a recusa italiana em autorizar o uso de uma base aérea na Sicília por aviões militares americanos que transportavam armas para a guerra, além de críticas da premiê a falas de Trump sobre o Papa Leão XIV.

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Já na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez tem sido um dos líderes europeus mais duros contra a atuação americana no Oriente Médio. Trump já chegou a ameaçar impor sanções comerciais ao país e sugeriu até mesmo a suspensão espanhola da Otan, hipótese considerada inviável dentro das regras da aliança. Atualmente, cerca de 3.200 militares americanos estão estacionados em solo espanhol.

Com agências internacionais.