Pentágono acusa BYD e Alibaba de ajudarem exército da China; Pequim reage

Pentágono acusa BYD e Alibaba de ajudarem exército da China; Pequim reage

Fonte: Bandeira



O Pentágono acusou algumas das maiores empresas da China, incluindo BYD, Alibaba e Baidu, de apoiarem as Forças Armadas chinesas, reforçando uma decisão anterior de classificar joias da coroa do mundo corporativo do país como ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos.

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O Departamento de Defesa anunciou as designações na segunda-feira em uma atualização de uma lista de empresas que, segundo sua avaliação, auxiliam o Exército de Libertação Popular da China. As empresas já haviam sido incluídas em uma versão anterior da lista, publicada brevemente em fevereiro antes de ser retirada poucos minutos depois, sem qualquer explicação, gerando confusão sobre as intenções do Pentágono.

Com essa medida, os Estados Unidos passaram a declarar que três dos mais importantes campeões chineses da inteligência artificial — Alibaba, Baidu e Tencent — estão auxiliando as forças armadas do país asiático. A Tencent foi adicionada à lista em 2025 e vem buscando sua remoção. A designação da BYD destaca a principal fabricante chinesa de veículos elétricos.

Após a divulgação da decisão do Pentágono, as ações da Alibaba caíram até 1,4% nas negociações em Hong Kong nesta terça-feira, enquanto a Baidu reduziu os ganhos anteriores e passou a ser negociada com alta de 1,2%. A reação relativamente moderada dos mercados asiáticos sugere que os investidores se acostumaram aos recorrentes ataques regulatórios vindos de Washington.

— Acredito que isso seja apenas uma demonstração de posicionamento geopolítico. Em termos fundamentais, há impacto limitado nas operações de negócios dessas empresas — disse Nigel Peh, gestor de portfólio da Timefolio Asset Management, em Cingapura.

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A versão mais recente da chamada lista 1260H do Pentágono também reincorporou duas fabricantes chinesas de chips de memória — ChangXin Memory Technologies e Yangtze Memory Technologies — que haviam sido anteriormente designadas pelo Departamento de Defesa, mas foram removidas da versão que apareceu brevemente em fevereiro. Outros fabricantes de hardware, incluindo a desenvolvedora de robôs Unitree Robotics — identificada na lista como Hangzhou Yushu Technology — também foram incluídos na relação ampliada.

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Embora a lista tenha poucas consequências legais imediatas, o Pentágono tem usado cada vez mais esse instrumento para restringir a capacidade das empresas de firmar contratos com as Forças Armadas dos Estados Unidos ou de receber financiamento para pesquisa. Uma designação na lista 1260H também funciona como um alerta para investidores americanos e é amplamente considerada um sinal de risco que pode anteceder restrições comerciais mais severas. Apesar do impacto comercial imediato limitado, algumas das empresas designadas divulgaram fortes contestações às acusações.

Reação do governo chinês e das empresas

O Ministério das Relações Exteriores da China criticou a medida, acusando os Estados Unidos de extrapolar questões de segurança para prejudicar empresas comerciais chinesas.

— Instamos os Estados Unidos a corrigirem seus erros e a cessarem a repressão infundada contra empresas chinesas — afirmou o porta-voz do ministério, Lin Jian, durante uma coletiva de imprensa regular em Pequim, nesta terça-feira. — China tomará as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas.

As empresas também reagiram à medida anunciada pelo Pentágono.

“A Alibaba não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão militar-civil”, afirmou a companhia em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg. “Tomaremos todas as medidas legais disponíveis contra tentativas de deturpar nossa empresa.”

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A Baidu também rejeitou a avaliação do Pentágono, comprometendo-se, em comunicado, a “usar todas as opções disponíveis” para que a empresa seja removida da lista.

A BYD contestou a designação e prometeu proteger seus interesses “por todos os meios administrativos e legais viáveis”.

A Unitree não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

A WuXi AppTec classificou sua inclusão na lista do Pentágono como um erro.

“Não atendemos aos critérios legais para sermos designados como uma ‘empresa militar chinesa’”, afirmou a companhia em uma declaração enviada por e-mail à Bloomberg, acrescentando que a WuXi AppTec não é controlada nem afiliada a qualquer entidade militar ou governamental chinesa.

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A lista foi divulgada menos de um mês após o presidente Donald Trump se reunir com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim, onde os dois líderes discutiram alguns dos principais pontos de atrito nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A cúpula, acompanhada de perto pelos mercados, não resultou em uma redução significativa das tensões relacionadas à tecnologia avançada, especialmente à inteligência artificial.

— A lista republicada pelo Pentágono de empresas chinesas ligadas às Forças Armadas serve como um teste de realidade após a cúpula — afirmou Craig Singleton, pesquisador sênior especializado em China da Foundation for Defense of Democracies. — A reunião entre Xi e Trump não interrompeu a competição; ela esclareceu onde essa competição continuará — acrescentou Singleton, que acompanha de perto as designações da lista 1260H.

Ao divulgar sua lista atualizada, o Pentágono afirmou que as entidades nomeadas se qualificam como “empresas militares chinesas” que operam direta ou indiretamente nos Estados Unidos, com base em suas supostas atividades de “prestação de serviços comerciais, fabricação, produção ou exportação”.

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Em maio, a Bloomberg News informou que a decisão inicial do Pentágono de remover a YMTC e a CXMT foi o motivo pelo qual a lista foi rapidamente retirada em fevereiro. Autoridades de segurança nacional do governo Trump consideraram que remover as fabricantes de chips — especialmente antes de uma reunião planejada entre os líderes dos Estados Unidos e da China, então prevista para o fim de março — poderia sugerir incorretamente que os EUA já não as consideravam uma ameaça, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As autoridades também temiam que a medida fortalecesse as empresas chinesas em detrimento da Micron e de outras duas grandes fabricantes de memória da Coreia do Sul, aliada dos Estados Unidos: Samsung Electronics e SK Hynix, segundo as fontes.

Imediatamente após a publicação da lista, uma alta autoridade da Casa Branca telefonou para o Pentágono para manifestar insatisfação pelo fato de suas preocupações terem sido ignoradas, informou a Bloomberg. Autoridades da Defesa correram para retirar a lista do ar apenas alguns minutos depois de ela ter sido publicada.

O incidente deu às empresas uma oportunidade de vários meses para pressionar por novas alterações por meio de uma combinação de lobby e estratégias jurídicas. No final, a versão publicada em junho foi substancialmente semelhante à versão divulgada em fevereiro e posteriormente retirada — com exceção da reinclusão das duas fabricantes de chips.

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O Congresso dos Estados Unidos determinou pela primeira vez, em 1999, que o Departamento de Defesa elaborasse uma lista de empresas militares chinesas que operam nos EUA. O Pentágono só começou a fazê-lo mais de duas décadas depois, após parlamentares e o primeiro governo Trump retomarem a questão.

Devido à política chinesa de “fusão militar-civil”, pela qual Pequim exige a colaboração do setor privado com as forças armadas do país, o Pentágono poderia, teoricamente, justificar a designação de quase qualquer empresa chinesa com presença nos Estados Unidos.

A versão que foi brevemente publicada em fevereiro e essencialmente republicada na segunda-feira está entre as atualizações mais significativas da história da lista, abrangendo quase 200 empresas — muitas delas entre as mais proeminentes da China.

John McEntee, ex-alto funcionário da Casa Branca durante o governo Trump e atualmente lobista da Tencent, criticou a permanência da empresa na lista.

— Ao expandirem a lista para incluir montadoras chinesas como BYD e NIO, eles estão revelando o quão absurda é a justificativa. Pela lógica deles, Ford e GM também deveriam ser classificadas como empresas militares americanas — afirmou McEntee.

Um ponto de confusão que permanece após a atualização mais recente é a inclusão da TP-Link Technologies, sediada na China e focada na venda de produtos para clientes chineses, em vez da TP-Link Systems, sediada nos Estados Unidos, que tem sido alvo de escrutínio por parte das autoridades americanas devido aos possíveis riscos à segurança nacional decorrentes de sua posição dominante no mercado de roteadores sem fio. Para ser incluída na lista, uma empresa deve operar direta ou indiretamente nos Estados Unidos.

— Como uma empresa sediada nos EUA e incorporada no estado da Califórnia, a TP-Link Systems, não está sujeita a esta publicação nem às restrições associadas a ela — declarou uma porta-voz da empresa.

Ela acrescentou que o fundador e CEO da TP-Link, Jeffrey Chao, reside na Califórnia “e não é, nem jamais foi, membro” do Partido Comunista Chinês.