Penitenciária de Potim, a nova 'prisão dos famosos' em SP, registra infestação de escorpiões

 

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Presos e advogados que atuam na execução penal relatam uma infestação de escorpiões e percevejos na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo. O surgimento dos animais peçonhentos teria começado após a direção da unidade determinar a limpeza e pintura da ala A de um galpão destinado a mais de 50 presos transferidos da Penitenciária de Tremembé.

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Conhecida como a nova "prisão dos famosos" justamente por conta dos egressos de Tremembé, a unidade de Potim tem capacidade para 844 detentos, mas atualmente abriga 470. O problema envolvendo escorpiões e percevejos estaria concentrado na ala de progressão de regime, composta por dois galpões identificados como A e B. Esse setor, destinado ao regime semiaberto, tem capacidade para 219 vagas, mas mantém hoje 93 homens, a maioria condenada por crimes de estupro e assassinatos contra membros da própria família.

Durante a semana, segundo relatos dos presos, os animais peçonhentos têm sido vistos com maior frequência nos banheiros e nas áreas de alojamento. Dois detentos afirmaram ter capturado escorpiões escondidos sob travesseiros, enquanto outros relatam que os animais aparecem dentro dos calçados, o que tem provocado medo generalizado. Fernando Bezerra, 36 anos, condenado por estupro, disse ter sido atacado por percevejos e afirmou que ficou com o braço em carne viva após as picadas.

A Penitenciária II de Potim também passou a concentrar presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional. Estão por lá criminosos como Fernando Sastre de Andrade Filho, conhecido como “Bebê da Porsche”; o ex-médico Roger Abdelmassih; e Lindemberg Alves, assassino de Eloá Pimentel. A unidade tem recebido transferências recentes dentro de uma política de redistribuição do sistema prisional paulista, que antes concentrava esse perfil de preso em Tremembé. Por lá também passou o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por um conjunto de suspeitas relacionadas a crimes financeiros e atuação de organização criminosa.

De acordo com os relatos, os presos teriam levado as queixas sobre os animais peçonhentos à direção de Potim, mas foram informados de que o local já havia passado por dedetização. A justificativa apresentada foi a de que a presença desses animais estaria relacionada à localização da penitenciária, situada no Vale do Paraíba, cercada por áreas de Mata Atlântica, o que favoreceria a circulação de fauna silvestre. À noite, segundo os detentos, é comum a presença de corujas, cobras venenosas e morcegos-vampiros (Desmodus rotundus) no interior dos galpões, o que aumenta a sensação de insegurança.

A Penitenciária de Potim, em São Paulo

Reprodução

Os próprios presos passaram a capturar escorpiões e armazená-los em recipientes improvisados. A intenção, afirmam, é apresentar o material à juíza corregedora que deve realizar uma visita correcional nos próximos dias.

Os animais encontrados seriam, em sua maioria, da espécie conhecida como escorpião-amarelo, do gênero Tityus, considerada uma das mais perigosas do país. A picada provoca dor imediata e intensa, podendo irradiar pelo membro atingido, e em casos mais graves, desencadeando sintomas como vômitos, sudorese, alterações cardíacas e até risco de morte, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

Procurada, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo informou que mantém contrato vigente com empresa especializada em controle de pragas urbanas e que as manutenções são realizadas mensalmente, tendo a última intervenção ocorrido em 1º de abril de 2026, com validade de seis meses. Segundo a pasta, fnão apontam focos de proliferação e indicam que a unidade segue em conformidade com as normas sanitárias.

A secretaria acrescentou que não há notificações recentes de picadas de escorpião no sistema prisional paulista e que as unidades contam com serviços regulares de dedetização e desinsetização nas áreas internas e externas, além de ações de limpeza de vegetação no entorno. Informou ainda que os presos recebem kits de limpeza para higienização das celas e que, em casos de suspeita de picadas, há reforço nas medidas de controle e atendimento médico aos detentos.