Pena de morte ganha força nos EUA com casos polêmicos e debates sobre a transmissão ao vivo

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Amplamente reprovada pela crueldade, falibilidade e ineficiência perante o crime, além das questões éticas e morais, a pena de morte, a mais primitiva das punições, está em refluxo no mundo civilizado. Bastou Donald Trump estrear seu segundo governo, vociferando contra uma suposta onda de crimes bárbaros aterrorizando as cidades americanas, para a pena capital ganhar novo fôlego nos Estados Unidos. Em meio a um recorde de execuções, sua aplicação alcançou ainda mais destaque por meio do megafone de Pete Hegseth, o muito durão secretário da Defesa (ou da guerra, como prefere). No início do mês, ele confirmou que Nidal Hasan, responsável por um letal ataque terrorista contra militares em uma base no Texas, será morto no dia 3 de dezembro por pelotão de fuzilamento — e que haveria inclusive transmissão ao vivo na internet do ato, embora Trump tenha voltado atrás na quinta-­feira 15, afirmando que “pessoas de bem podem querer não vê-­lo morrer”. A promessa, se vier a se concretizar, representará uma dispensável volta a um passado distante. O mais recente fuzilamento militar no país ocorreu no longínquo ano de 1945. Em público, em 1937. CONDENADO - Hasan: pelotão de fuzilamento ao vivo pela internetBell County Sheriff’s Office/Getty Images

Psiquiatra e major do Corpo Médico do Exército, Hasan abriu fogo em 2009 na base de Fort Hood, matando treze soldados e ferindo outros 32. No julgamento, declarou pretender morrer como mártir. O anúncio do fuzilamento ao vivo e em cores provocou reações indignadas de políticos dos dois partidos. O vice-presidente JD Vance, católico, afirmou que não assistiria. Trump, a quem cabe autorizar a transmissão, primeiro aprovou, depois disse que pensaria. “Há uma crença de que execuções públicas desestimulam a violência, mas não há evidências convincentes que sustentem isso”, afirma a historiadora Carolyn Strange. Poucos dias antes, a pena capital já havia ressurgido nas redes e nos debates após a execução fracassada de Christa Pike, 50 anos, há décadas no corredor da morte, que sobreviveu a duas doses seguidas de injeção letal, no Tennessee. Condenada por tortura e assassinato de uma colega de escola quando tinha 18 anos, Christa passou dias na UTI, voltou a si e já está de volta à prisão, no centro de uma batalha judicial sobre a reversão da pena para prisão perpétua.

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Por mais que casos como esse sacudam a opinião pública, a pena de morte, presente em 27 estados, é aprovada pelos americanos: 52% são a favor para quem pratica crimes em geral e 66% para homicídios. Ao todo, 47 pessoas foram executadas no país no ano passado, o maior número desde 2009 e quase o dobro das 25 mortes em 2024, sendo dezenove na Flórida, campeã nacional dessa forma de punição. No mundo, a Anistia Internacional registrou no ano passado 2 707 execuções em dezessete países (113 a aboliram). Destes, um dos mais notórios executores é, tão triste quanto ironicamente, o Irã, inimigo número 1 de Trump, que acaba de anunciar a imposição da pena a uma mulher de 23 anos condenada por “blasfêmia”. A pena de morte segue viva. Publicado em VEJA de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017

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