Pelo menos cinco jogadores da Copa do Mundo são ou já foram investigados por estupro; veja lista
Na Copa do Mundo de 2026, além do amado futebol e talento dos atletas, chama a atenção o número de jogadores que estão sendo ou já foram investigados por denúncias de estupro e agressão contra mulheres: pelo menos cinco - dois deles do Japão -, sofreram acusações do tipo.
Não há um direcionamento estabelecido pela Fifa que proíba a participação de atletas investigados por violência contra mulher. A instituição defende que respeita os processos judiciais e que a convocação é de responsabilidade das federações nacionais de cada seleção participante.
Ryan Mendes (Cabo Verde)
Capitão da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo, o atacante Ryan Mendes é investigado pela polícia da Nova Zelândia após uma brasileira acusá-lo de estupro.
O caso teria ocorrido em março deste ano em um hotel onde a seleção estava hospedada para disputar amistosos na Oceania. O processo aguarda os resultados de laudos periciais para andamento.
Sobre o caso, a Fifa chegou a emitir uma nota informando que trata com a máxima seriedade qualquer denúncia de conduta imprópria.
Atacante Ryan Mendes é investigado pela polícia da Nova Zelândia | Foto: Chandan Khanna/AFP
"Como regra geral, os órgãos judiciais independentes da Fifa não comentam sobre denúncias que possam ou não ter recebido, nem confirmam ou negam a existência de investigações em andamento sobre supostos casos. Caso decidam tornar alguma informação pública, isso será feito no momento e da forma que considerarem apropriados", pontuou a federação internacional.
A Fifa acrescentou ainda que segue em contato com as autoridades da Nova Zelândia, mas não fará comentários sobre o assunto no momento.
Kaishu Sano (Japão)
O jogador japonês Kaishu Sano, de 25 anos, já foi detido e investigado por agressão sexual. Sano voltou ao futebol após um juiz retirar as acusações contra ele em 2024. O caso teria ocorrido em julho daquele ano, em Tóquio, no Japão.
Segundo informações da imprensa local, o meio-campista e dois amigos supostamente agrediram sexualmente uma mulher de 30 anos em um hotel na capital japonesa.
Jogador japonês Kaishu Sano, de 25 anos, já foi detido e investigado por agressão sexual | Foto: Paul Ellis/AFP
Os três suspeitos chegaram a ser detidos por mais de duas semanas após serem localizados nas proximidades do local onde o crime teria ocorrido. Kaishu Sano era recém-contratado pelo time alemão Mainz.
À época, após a retirada das acusações, o atleta chegou a emitir um comunicado apresentando as mais "sinceras desculpas à vítima" por suas ações "que causaram grandes problemas".
Junya Ito (Japão)
Também atleta do Japão, o atacante Junya Ito foi denunciado por duas mulheres em 2024. Elas alegaram terem sofrido abuso sexual enquanto estavam embriagadas em um hotel de Osaka.
Atacante Junya Ito foi denunciado por duas mulheres em 2024 | Foto: Paul Ellis/AFP
O jogador alegou falsas denúncias e apresentou queixa criminal contra as denunciantes. No mesmo ano, o Ministério Público do Japão decidiu não levar o caso adiante alegando falta de provas.
Achraf Hakimi (Marrocos)
Em 2023, o jogador marroquino Achraf Hakimi foi denunciado por estupro de uma mulher de 24 anos. O caso teria ocorrido na França e segue em investigação.
Jogador marroquino Achraf Hakimi foi denunciado por estupro de uma mulher de 24 anos | Foto: Alfredo Estrella/AFP
O atleta nega as acusações e pediu o arquivamento do caso, mas a solicitação foi negada pela justiça e deve ser julgado.
Thomas Partey (Gana)
O jogador de Gana Thomas Partey é investigado por estupro e agressão sexual no Reino Unido.
Thomas Partey é investigado por estupro e agressão sexual no Reino Unido | Foto: Dan Mullan/Getty Images North America/ Getty Images via AFP
Ele foi acusado cinco vezes por duas mulheres por crimes ocorridos entre 2021 e 2022. Uma terceira mulher também o acusou de agressão sexual.
Em 2025, o jogador se declarou inocente e recebeu liberdade condicional, sendo impedido de contatar as denunciantes. Viagens internacionais ou mudanças de endereço precisam ser comunicadas. Neste ano, outras duas mulheres o denunciaram pelo mesmo crime.
Recentemente, Thomas teve o visto negado no Canadá devido às acusações, desfalcando a seleção na estreia do mundial contra o Panamá.
Na ocasião, o Ministério das Relaçõ es Exteriores de Gana emitiu um comunicado destacando que a proibição foi "arbitrária e extremamente injusta", e se baseia em acusações "não comprovadas".
Entrada de acusados em países sede da Copa 2026
No Canadá, imigrantes com acusações criminais pendentes podem ser considerados inadmissíveis, dependendo da gravidade do delito. Em caso de condenação, o país proíbe a entrada de estrangeiros.
Thomas Partey, apesar do visto negado pela imigração canadense, teve a entrada autorizada nos Estados Unidos após análise individual do caso apontar ausência de condenação judicial.
Nos Estados Unidos, o imigrante pode ser considerado inadmissível e ter o visto negado em caso de condenações específicas:
- Crimes que envolvem depravação moral;
- crimes relacionados ao tráfico de drogas;
- imigrantes que possuem duas ou mais condenações em que as penas de prisão totalizem cinco anos ou mais;
- crimes agravados.
O mesmo acontece no México, que veta a entrada de estrangeiros condenados por crimes considerados graves, como homicídio, roubo, relacionados a drogas, pornografia, exploração de menores e fraudes. Em casos de acusações em processo, o caso é analisado pelas autoridades de imigração.
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Futebol brasileiro
Além dos jogadores das seleções mundiais, atletas brasileiros - alguns com partiticipações em copas - também já foram alvos de acusações de violência contra mulher, resultando em prisões e condenações.
Daniel Alves
Um dos casos mais conhecidos da mídia envolve o lateral-direito Daniel Alves. Em janeiro de 2023, ele foi preso na Espanha após denúncia de estupro contra uma jovem de 23 anos em uma boate em Barcelona.
O processo foi anulado e o jogador, absolvido em abril de 2025, após juízes concluírem que o depoimento da vítima foi insuficiente para sustentar a condenação.
Robinho
Ex-jogador do Santos, Robinho foi condenado pela justiça italiana em 2022, a nove anos de reclusão, por violência sexual em grupo cometido contra uma mulher em Milão, no ano de 2013. Robinho segue preso desde março de 2024, em São Paulo.
Goleiro Bruno
O goleiro Bruno foi condenado por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado pela morte da modelo Eliza Samudio, desaparecida em junho de 2010, em Minas Gerais. Dois amigos do atleta - Marcos Aparecido (Bola) e Luiz Henrique Ferreira (Macarrão) também foram condenados por participação no crime.
Bruno chegou a receber o benefício da liberdade condicional, mas foi preso novamente após descumprir regras determinadas pela Justiça.
Pedrinho
Em fevereiro de 2023, o atacante Pedrinho passou a ser investigado por violência doméstica, lesão corporal, ameaça e injúria contra a ex-namorada. A mulher alegou ter sido agredida com socos, empurrões, tapas e ameaçada de morte. O processo foi arquivado pela justiça de São Paulo em 2024.
Neymar
O atacante Neymar foi denunciado de estupro por uma modelo brasileira em maio de 2019. A mulher relatou ter viajado até Paris a convite do jogador e recusado manter relações sexuais com o jogador sem preservativo. Ela apontou que o atleta se tornou agressivo, a agrediu e a estuprou.
Neymar chegou a falar sobre o caso nas redes sociais, onde divulgou conversas com a modelo e afirmou ter mantido relação consensual. O caso foi arquivado no mesmo ano por falta de provas.
