Pelo menos 18 manifestantes foram executados no Irã desde janeiro, de acordo com a ONU
Pelo menos 40 pessoas, incluindo 18 manifestantes, foram executadas no Irã desde janeiro por "razões de segurança nacional", afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, nesta segunda-feira.
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— As autoridades intensificaram a brutal repressão, realizando milhares de prisões e impondo restrições ainda mais severas ao espaço cívico — declarou Türk ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra.
As autoridades iranianas "executaram pelo menos 40 pessoas por razões de segurança nacional desde o início do ano, 18 das quais eram manifestantes", acrescentou Türk.
O país foi abalado por grandes manifestações contra o regime em diversas cidades entre o final de dezembro e janeiro. A repressão deixou milhares de mortos, segundo organizações de direitos humanos.
Em maio, um homem foi enforcado após ser considerado culpado de ter ligações com a agência de inteligência israelense Mossad, segundo o gabinete de imprensa do Judiciário. Esta foi a mais recente execução desde o início da guerra desencadeada no Oriente Médio pelo ataque conjunto dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica. Desde então, as prisões e execuções aumentaram no país.
"Ehsan Afreshteh, um espião treinado pelo Mossad no Nepal, que vendeu informações confidenciais a Israel, foi executado", disse Mizan, o gabinete de imprensa do Judiciário. "Preso e julgado por espionagem e colaboração com o regime sionista, ele foi enforcado após a Suprema Corte confirmar o veredicto".
De acordo com organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, o Irã é o país que mais frequentemente aplica a pena de morte depois da China. Na segunda-feira, Teerã anunciou a execução de um estudante de engenharia aeroespacial suspeito de espionagem para os serviços de inteligência israelenses e americanos.
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Um levantamento publicado pelo jornal britânico Financial Times (FT) no mês passado indicava que pelo menos 28 homens foram executados na República Islâmica desde 18 de março. O número, resultado de relatos da mídia estatal iraniana levantados pelo FT, indica que a República Islâmica intensificou o enforcamento de acusados de se manifestarem contra o regime dos aiatolás ou de colaborarem com forças estrangeiras em meio à guerra com Estados Unidos e Israel.
Fontes ouvidas pelo FT afirmam que mudanças na legislação favoreceram as execuções de caráter político. Desde que chegaram ao poder em 1979, os líderes da República Islâmica têm usado execuções como ferramenta de controle e manutenção do poder. A Anistia Internacional afirma que o regime iraniano realizou mais de mil execuções entre o início do ano de 2025 e o final de setembro do mesmo ano, a maior taxa em pelo menos 15 anos.
(Com AFP)
