Pela terceira noite, EUA e Irã trocam ataques no Golfo Pérsico; bloqueio aos portos iranianos será retomado hoje
Pela terceira noite consecutiva, EUA e Irã trocaram ataques na região do Golfo Pérsico, com explosões registradas em alvos no território iraniano e de países árabes aliados dos americanos, assim como em embarcações na região.
A nova série de enfrentamentos, centrada no futuro da navegação no Estreito de Ormuz, testa os limites do acordo firmado em junho, e ganhará um novo elemento de tensão na tarde desta terça-feira, quando o bloqueio aos portos iranianos será retomado.
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Em comunicado, o Comando Central dos EUA, responsável por ações no Oriente Médio, disse que “durante a missão de cinco horas, as forças dos EUA atingiram com sucesso alvos militares em todo o Irã — incluindo Bushehr, Chabahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas — para reduzir ainda mais a capacidade iraniana de atacar o transporte marítimo comercial”.
Os militares afirmaram ter usado “munições de precisão contra sistemas de defesa costeira, instalações de mísseis e drones, e capacidades marítimas do Irã”.
A imprensa estatal iraniana relatou que houve ao menos cinco explosões nos arredores do Estreito de Ormuz, em Mashhahr e Abadan, no oeste, além de bombardeios em Bushehr — onde há uma central nuclear em funcionamento, mas sem informações sobre impactos na instalação — e na região de Hormozgan, onde três membros de uma mesma família morreram.
Segundo um levantamento da AFP, 28 pessoas foram mortas desde quarta-feira passada, quando EUA e Irã decidiram testar os limites do cessar-fogo com novos ataques de lado a lado.
Em resposta às novas ações americanas, a Guarda Revolucionária do Irã lançou retaliações contra países árabes onde há bases e instalações ligadas às Forças Armadas americanas.
No Kuwait, a imprensa oficial iraniana disse ter atingido sistemas de comunicação e depósitos de munição, algo negado pelo Pentágono.
No Bahrein, sistemas de defesa aérea foram acionados para conter uma onda de drones, mesmo cenário da Jordânia, onde também mísseis foram lançados contra uma base aérea.
Nos dois casos, não há relatos sobre danos ou vítimas.
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A Guarda Revolucionária atacou ainda embarcações que tentaram atravessar o Estreito de Ormuz.
De acordo com o governo dos Emirados Árabes Unidos, dois de seus petroleiros foram atingidos por mísseis enquanto trafegavam por uma rota alternativa perto da costa de Omã, sem detalhar quando ocorreu o incidente, matando um marinheiro indiano e deixando oito feridos.
O governo indiano se queixou formalmente à Chancelaria iraniana, enquanto a Guarda Revolucionária se referiu aos navios como “petroleiros fora da lei” que ignoraram suas ordens.
Dentro da nova rodada de enfrentamentos, o futuro da navegação pela passagem que, antes da guerra, era responsável por 20% das exportações globais de petróleo e gás, tem lugar de destaque.
Citando o memorando de entendimento firmado em junho, Teerã se considera o legítimo responsável pelo controle do Estreito de Ormuz, e ordena que os navios trafeguem por uma nova rota, distinta da usada por décadas, e que passa por suas águas territoriais.
Ao mesmo tempo, os americanos incentivam uso de uma outra rota, pela costa de Omã, e que se tornou um alvo preferencial dos mísseis iranianos.
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Após os ataques americanos, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, e nesta terça-feira o porta-voz do Exército, Mohammad Akrami-Nia, disse que a passagem “jamais será reaberta por meio de guerra, hostilidade ou atos de agressão por parte dos Estados Unidos”, acusando os americanos de violação dos termos do acordo de junho.
— As Forças Armadas do Irã posicionaram-se firmemente contra a violação de compromissos por parte dos americanos e declararam que qualquer ação no Estreito de Ormuz que fugisse aos termos estipulados no memorando de entendimento receberia uma resposta decisiva da República Islâmica — acrescentou.
O presidente americano não se pronunciou nesta terça-feira, mas na véspera deu sinais de que não pretende recuar.
Além de prometer novos bombardeios, ele afirmou que os EUA querem cobrar uma taxa de 20% sobre o valor da carga dos navios que trafegarem por Ormuz, como uma compensação pela segurança fornecida.
Um dos pontos mais espinhosos das negociações é a exigência do Irã na cobrança de um pedágio, ideia criticada inclusive pela diplomacia americana em um passado recente.
Em outra frente, o Comando Central dos EUA afirmou que o bloqueio naval aos portos iranianos, suspenso pelo acordo de junho, deverá ser retomado na tarde desta terça-feira, repetindo o mecanismo que ficou em vigor entre abril e junho, e que, segundo os militares americanos, impediu que dezenas de embarcações chegassem ou saíssem do país.
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Apesar do ímpeto bélico de Trump, especialistas dizem que um velho problema deve bater à porta das forças americanas caso a opção seja a guerra total: a falta de muinições de ataque e, especialmente, dos sistemas de defesa aérea.
Em entrevista à rede CNN, Mark Cancian, coronel da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais e analista de defesa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse que os EUA “utilizaram entre um terço e metade de suas principais munições”.
— Utilizamos mais de mil [mísseis Patriot] nesta guerra atual.
Nossos aliados no Golfo também utilizaram muitos.
A Ucrânia quer mais, portanto, há uma demanda enorme pela produção — disse Cancian, se referindo ao mais conhecido sistema de defesa aérea dos EUA, e cuja produção está pressionada pela demanda global.
— Se você encomendasse outro Patriot hoje, provavelmente não o receberia antes de quatro ou cinco anos, devido à fila de espera.
