Pela primeira vez, seis ingleses chegam às oitavas da Liga dos Campeões; entenda o que explica esse domínio
A Liga dos Campeões 2025/26 entra na fase decisiva com as partidas de ida das oitavas de final a partir de hoje e tem um componente novo nesta fase da competição: o domínio do futebol inglês. Pela primeira vez, dos 16 classificados, seis clubes são da Inglaterra (Manchester City, Liverpool, Chelsea, Arsenal, Tottenham e Newcastle).
O Liverpool joga contra o Galatasaray, o Chelsea contra o Paris Saint-Germain, o Manchester City contra o Real Madrid, o Tottenham contra o Atlético de Madrid, o Arsenal contra o Bayer Leverkusen e o Newcastle contra o Barcelona. As partidas de ida acontecem entre hoje e amanhã, enquanto a volta será na próxima semana.
Países com muitas equipes classificadas na Liga dos Campeões costumam chegar em bloco às oitavas de final. Os ingleses, por exemplo, conseguiram classificar cinco times nesta fase da competição em duas oportunidades. A última havia sido em 2017/18, quando o Liverpool foi finalista, mas perdeu para o Real Madrid. Desta vez, chegaram com seis.
Como nenhum inglês se enfrenta, a chance de ter um recorde nas quartas de final também é grande. Segundo o jornalista Jack Lang, do The Athletic, esse domínio dos times ingleses na Liga dos Campeões é uma questão econômica, já que a Premier League recebe mais dinheiro de direitos de transmissão do que as outras cinco grandes ligas da Europa.
— O que explica isso é o poder de compra. Os clubes ingleses ganham muito mais dinheiro com os direitos de televisão do que as outras ligas europeias. E isso faz com que a liga inglesa consiga largar na frente no mercado de transferências. Um clube de meio de tabela da Premier League compete com times que são supostamente grandes nos outros países — afirmou Lang, que pontuou:
— A liga inglesa atrai os melhores jogadores, atrai muito patrocínio e tem essa ideia na Europa das grandes cinco ligas, que seria Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, França. Mas essa ideia já é velha, porque tem a Liga Inglesa e tem outros clubes que podem competir de vez em quando.
Chaveamento da Liga dos Campeões 2025/26
Harold CUNNINGHAM / AFP
Apesar desse domínio, nas últimas duas temporadas apenas uma equipe inglesa chegou na semifinal da competição: o Arsenal, que foi eliminado pelo campeão Paris Saint-Germain na edição passada. O Manchester City foi o último time da Inglaterra que conquistou a Liga dos Campeões, em 2022/23. Vale lembrar que o país tem 15 títulos do torneio, atrás apenas da Espanha, com 20.
A diferença do poderio financeiro entre os times da Inglaterra e os de outros países ajuda a entender o caso do Tottenham, que luta contra o rebaixamento na Premier League e se classificou entre os oito melhores da fase de liga da maior competição do mundo. A razão é que o nível do campeonato inglês está tão alto hoje que às vezes é mais difícil enfrentar um time inglês do que uma equipe mediana da Europa.
Contando as três competições europeias, a Inglaterra conta com nove clubes nas oitavas de finais. Algo jamais visto antes. Aston Villa e Nottingham Forest estão classificados na Europa League e encaram Lille e Midtjylland, respectivamente, enquanto o Crystal Palace joga contra o AEK Larnaca na Conference League.
— Os clubes ingleses deveriam ser sempre favoritos para ganhar a Conference League e a Europa League. Já na Champions League há alguns clubes que podem competir, como Bayern de Munique, Barcelona, Real Madrid e também o PSG, claro. Mas não existem muitos times além desses que consigam competir com os ingleses em termos de transferências, contratações e coisas do tipo. Então é por isso que essa tendência está acontecendo — destaca o jornalista Nizaar Kinsella, da BBC.
A receita de transmissão da liga é tão alta que times como Bournemouth, Sunderland e outros estão ganhando bem mais de 100 milhões de libras (cerca de R$ 699 milhões, na cotação atual) por temporada apenas com direitos de TV. Isso faz com que os times ingleses criem elencos com mais opções e com capacidade de reposição para aguentarem a competição.
— A Premier League se consolidou como o campeonato mais global do futebol, com receitas muito superiores às demais ligas e uma gestão cada vez mais profissional. Esse cenário permite que os clubes mantenham elencos profundos e competitivos, algo decisivo em torneios longos e exigentes como a Champions — finaliza Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil, empresa que gerencia a carreira de alguns jogadores que atuam na Premier League.
