'Peguete de fim de semana': trend feminina reclama de homens que só ficam com mulheres na noite de sábado e depois 'somem'

 

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A trilha sonora mais comum é "Purple Rain", sucesso de Prince nos anos 1980. Ela embala uma série de vídeos de uma nova tendência no TikTok, conhecida como "Weekend Lover" (algo como "peguete de fim de semana"). "Eu nunca quis ser o seu caso de fim de semana", canta o astro da música, falecido em 2016.

Por trás da trend estão jovens mulheres, especialmente da Geração Z (nascidas entre 1997 e 2012), que estão levando à rede social o fato de serem "peguetes de fim de semana": uma classificação de relacionamento em que os parceiros não lhes dão atenção a não ser na noite de sábado. Uma usuária do TikTok chegou a postar que o seu parceiro de fim de semana bloqueia o seu número de telefone até o sábado.

"Eu pensei que conseguiria fazê-lo gostar de mim, e eu sei que é assim que as garotas nos meus comentários se sentem", declarou uma outra.

"Peguete de fim de semana é tudo o que eu sempre fui para alguém", escreveu uma jovem na legenda do vídeo enquanto olhava melancolicamente para a câmera.

Uma quarta revelou ter sido chamada até pelo nome errado numa mensagem de texto por celular.

'Peguete de fim de semana': trend feminino reclama de homens que só ficam com mulheres na noite de sábado

Reprodução/TikTok

A trend parece mostrar que a dinâmica de "relacionamento sem compromisso", tão comum nos campi universitários e na vida de quem está na faixa dos 20 anos, está corroendo as representante da Geração Z.

Numa época em que quase tudo acaba exposto em redes sociais — até mesmo a rejeição —, internautas se perguntam por que as "peguetes de fim de semana" levam o seu sofrimento às telinhas. Muitos sugerem que as jovens chorosas deixem de lado relacionamentos que não satisfazem suas necessidades.

"Você acha que, vendo isso, ele vai pensar: 'Devo fazer dela minha namorada'?", questionou um usuária do TikTok.

'Exibicionismo falando alto'

"A polêmica e triste trend mostra jovens se expõem de uma forma que mulher alguma deveria se expor, com total desrespeito e desvalorização a si mesmas. Numa geração em que não basta sentir, é preciso performar o sentir, a dor vira estética, a rejeição vira trend e o sofrimento vira identidade temporária. Quando uma pessoa não tem senso sólido de valor interno, ela tenta construir esse valor através do olhar externo. Quanto mais frágil o "eu", maior a necessidade de plateia. O que antigamente se confidenciava entre amigas, hoje virou conteúdo e, quanto mais íntimo, maior o engajamento", opinou ao PAGE NOT FOUND Aline Cataldi, psicóloga, mestre em Saúde Mental, terapeuta holística e escritora. "Há uma busca por validação, colo e necessidade de transformar a dor em narrativa e uma imatura tentativa de sobrevivência emocional. Postar pode ser uma forma de deixar de ser "a rejeitada" e virar "a que superou". É a sociedade da performance e do exibicionismo falando mais alto, na qual o que importa é ser visto, ter curtidas e aumentar o número de seguidores. Emocionalmente, certas escolhas podem cobrar um preço alto. Fugir de se olhar, de olhar para dentro, nunca foi a melhor opção. O autoconhecimento liberta", acrescentou ela.