Pegadas de 1,4 milhão de anos mudam visão sobre o 'Homem Quebra-Nozes' e sugerem grupos só de machos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Pegadas fossilizadas de cerca de 1,4 milhão de anos encontradas no norte do Quênia estão levando cientistas a revisar o que se sabia sobre o Paranthropus boisei, espécie extinta de hominídeo conhecida como "Homem Quebra-Nozes". A análise de 21 marcas preservadas no solo sugere que esses antigos parentes dos humanos eram significativamente maiores do que estimativas anteriores e apresentavam um comportamento social mais complexo, possivelmente formando grupos compostos apenas por machos adultos. Modelo físico: Nasa divulga representação inédita da Terra como geoide a partir de 1 bilhão de observações coletadas em 15 anos América do Norte: Câncer transmissível é descoberto pela primeira vez em peixes de água doce; o quarto registrado entre animais Os resultados foram publicados nesta segunda-feira na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). As pegadas avistadas pertencem a oito indivíduos que caminharam juntos pela margem de um antigo lago na formação geológica de Koobi Fora, na região do Lago Turkana, um dos sítios arqueológicos mais importantes para o estudo da evolução humana. Até então, estimava-se que os machos de P. boisei tivessem cerca de 1,31 metro de altura e pesassem, em média, 49 quilos. Com base no comprimento e na largura das pegadas, a nova pesquisa indica que alguns indivíduos poderiam alcançar até 1,80 metro de altura e pesar aproximadamente 75 quilos, dimensões comparáveis às de humanos modernos. — O sítio registra um momento extraordinário da anatomia, da locomoção, do comportamento e do ambiente desses hominídeos. Cada conjunto de pegadas oferece uma janela para um instante específico em que podemos observar diretamente como eles viviam e interagiam com o ambiente — afirmou o autor principal do estudo, Kevin Hatala, professor associado de Biologia da Universidade Chatham e pesquisador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, à CNN. Galerias Relacionadas Os cientistas acreditam que as pegadas registram um grupo de machos adultos caminhando juntos pela margem do lago. A ausência de fêmeas e filhotes levanta a hipótese de que esses indivíduos se reuniam temporariamente para aumentar a proteção contra predadores, como hipopótamos, mesmo competindo entre si por parceiras. — O fato de oito indivíduos, em sua maioria machos adultos, aparentemente viajarem juntos, sem fêmeas ou filhotes, sugere uma estrutura social complexa. Eles podem ter vivido em grupos numerosos, nos quais os machos competiam por acasalamento, mas também cooperavam em situações de risco — explicou Neil Roach, coautor do estudo e pesquisador da Universidade Harvard. As pegadas foram deixadas em lama rasa às margens de um lago e atingem até 12 milímetros de profundidade. Sete delas haviam sido descobertas em 1978. Novas escavações realizadas em 2016 e 2023 revelaram outras 14 marcas, além de rastros de animais como antílopes e hipopótamos. Pegadas de hominídeos encontradas no Quênia Kay Behrensmeyer/Smithsonian Convivência entre espécies Na mesma época, o Paranthropus boisei dividia o ambiente com o Homo erectus, um ancestral mais próximo dos seres humanos modernos. Um estudo publicado em 2024 já havia identificado pegadas das duas espécies feitas com poucos dias de diferença na mesma região, indicando que elas coexistiram no mesmo espaço e período. As análises revelaram diferenças na forma dos pés. As pegadas atribuídas ao P. boisei apresentam arcos plantares mais baixos e um hálux — o dedão do pé — ligeiramente mais afastado dos demais dedos, características distintas das observadas em Homo erectus e em humanos atuais. Galerias Relacionadas Para evitar interpretações equivocadas, a equipe realizou experimentos reproduzindo diferentes tipos de solo e utilizando uma versão reidratada da lama encontrada no sítio arqueológico, verificando como a consistência do terreno poderia alterar o formato das pegadas. Retrato raro do passado Os primeiros fósseis de Paranthropus boisei foram encontrados na década de 1950, mas a espécie é conhecida principalmente por crânios e mandíbulas, o que dificultava estimativas confiáveis sobre seu tamanho corporal. O novo estudo sugere que muitos ossos maiores encontrados anteriormente podem ter sido atribuídos equivocadamente ao Homo erectus. Para os pesquisadores, pegadas fossilizadas oferecem uma perspectiva única sobre a evolução humana, pois registram um momento específico da vida desses indivíduos, algo impossível de obter apenas a partir de ossos e dentes, permitindo que se conectem com esses fósseis de uma forma muito mais direta do que um fragmento isolado de osso ou mandíbula. A equipe pretende retornar ao Lago Turkana ainda este ano para ampliar as escavações e investigar por que diferentes espécies de hominídeos voltavam repetidamente à região ao longo de mais de 100 mil anos. Os estudiosos também acreditam que a abundância de vegetação aquática, moluscos e outros recursos alimentares pode ter transformado o local em um importante ponto de encontro para esses antigos parentes da humanidade. Galerias Relacionadas

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