Peças na tijuca abordam do esgotamento mental ao colapso do planeta; confira

 

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A Tijuca concentra, ao longo deste mês, uma série de estreias e temporadas teatrais voltadas a temas contemporâneos. Em cartaz no Teatro Municipal Ziembinski e no Teatro Angel Vianna, as montagens discutem saúde mental, esgotamento contemporâneo, espiritualidade, identidade e consciência ambiental, com propostas que vão do teatro dramático à dança e ao musical infantojuvenil.

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O Ziembinski apresenta “A sarça ardente”, nova criação da Cia. dos Trópicos, dirigida e escrita por João Santucci. Na trama, uma mulher abandonada passa a conversar com uma planta que cresce em seu apartamento — e que acredita ser Deus. A peça aborda solidão, fé, trauma e vazio existencial com ironia e humor ácido.

— O que começa como uma situação estranha e até cômica rapidamente se transforma em uma metáfora potente sobre solidão, abandono, culpa cristã e a necessidade humana de projetar sentido quando tudo desmorona — afirma Santucci.

A peça “Sociedade do cansaço” traduz a exaustão da vida moderna por meio da dança

Divulgação/Carol Pires

A montagem fica em cartaz até 1º de abril, às terças e quartas, às 20h, com ingressos a partir de R$ 20.

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Também no Ziembinski, está o musical infantojuvenil inédito “A cura da Terra – Pequenas revoluções”, do CIA — Coletivo Indígena Autônomo. Inspirado na obra da escritora indígena Eliane Potiguara, o espetáculo combina música ao vivo, narrativas ancestrais e performances para tratar de emergência climática, valorização dos saberes originários e protagonismo indígena.

Voltado para toda a família, o musical propõe uma experiência sensorial e educativa, aproximando crianças e adultos de temas urgentes por meio da arte.

— Essas obras ganham mais força quando nos abrimos para relacioná-las com outras questões poéticas e ampliamos como reverberam no teatro — destaca o diretor Rafael Bacelar.

“A sarça ardente” aborda solidão Teatro no Ziembinski

Divulgação/Charles Pereira

As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 16h, com ingressos entre R$ 15 e R$ 30.

Já no Teatro Angel Vianna, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio, a Cia da Ideia estreia “Sociedade do cansaço”, inspirada no livro do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han. Idealizado por Daniel Chagas, com direção e coreografia de Alessandro Brandão e Sueli Guerra, o espetáculo utiliza a dança contemporânea para investigar o ritmo acelerado da vida atual e seus impactos emocionais e físicos.

No palco, corpos em movimento traduzem a pressão por produtividade, a lógica do desempenho e a sensação constante de insuficiência que marcam a sociedade contemporânea.

Brandão explica que esse trabalho nasce do encontro entre o corpo e o pensamento de Byung-Chul Han, transformando em movimento a reflexão sobre a sociedade do cansaço, esse tempo em que as pessoas acumula tarefas, têm uma mente incapaz de repousar e se tornam, paradoxalmente, patrões e prisioneiras de si mesmas:

— A cena revela o esgotamento contemporâneo como experiência coletiva e íntima, onde dançar o próprio livro torna-se uma metalinguagem potente; são corpos cansados falando de um mundo que não para. Entre textos poéticos e gestos que os atravessam, o espetáculo propõe um deslocamento sensível, um retorno a si, à escuta interna e à aceitação do tempo não como inimigo, mas como aliado. O público pode esperar uma experiência intensa, feita de poesia em palavra, movimento e perguntas que permanecem ecoando muito depois do fim da dança.

A temporada vai até o próximo dia 29, com sessões às sextas e aos sábados, às 19h; e aos domingos, às 18h. Aos sábados, as apresentações contam com intérprete de Libras e audiodescrição, seguidas de debates abertos ao público.

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